Réu foi sentenciado a mais de 9 anos de prisão por agredir homem; empresário deixou o fórum antes da leitura da sentença e segue foragido.
Réu foi sentenciado a mais de 9 anos de prisão por agredir homem; empresário deixou o fórum antes da leitura da sentença e segue foragido.
O empresário Jhonnatan Silva Barbosa, condenado nesta segunda-feira (16) a 9 anos, 4 meses e 15 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, é considerado foragido da Justiça após deixar o fórum de Açailândia pouco antes da leitura da sentença. Desde então, o paradeiro do réu é desconhecido.
De acordo com o advogado da vítima, Marlon Reis, a fuga foi confirmada pelas autoridades policiais. “Ele aproveitou os momentos anteriores à condenação, saiu do fórum sorrateiramente e tomou rumo ignorado. Agora, além da condenação, é necessário o cumprimento efetivo da pena”, afirmou.
O crime ocorreu em 18 de dezembro de 2021 e teve grande repercussão. Na ocasião, Gabriel da Silva Nascimento foi abordado por Jhonnatan enquanto retirava objetos do próprio carro, em frente ao condomínio onde morava, no centro da cidade.
Segundo as investigações, o empresário suspeitou que a vítima estivesse furtando o veículo. A acusação sustenta que a desconfiança teria sido motivada por fatores raciais, hipótese que não foi reconhecida pelos jurados.
Mesmo após Gabriel afirmar que era o proprietário do carro e tentar apresentar documentos, ele foi retirado do veículo e agredido com socos e chutes. Testemunhas relataram que Jhonnatan chegou a pisar no pescoço da vítima e aplicar um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, tentando asfixiá-la.
Durante as agressões, a esposa do acusado, Ana Paula Costa, também teria participado, incentivando a violência e impedindo a reação da vítima.
A ação só foi interrompida após a intervenção de um vizinho, que confirmou que Gabriel era o dono do veículo e morador da região. A vítima sofreu ferimentos graves e afirmou, posteriormente, que temeu pela própria vida. Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque e contribuíram para a repercussão do caso.
Jhonnatan e Ana Paula foram indiciados pela Polícia Civil e denunciados pelo Ministério Público. Posteriormente, os processos foram desmembrados. O empresário foi submetido a júri popular, por se tratar de crime contra a vida, enquanto Ana Paula responde por lesão corporal e deverá ser julgada separadamente no Juizado Criminal de Açailândia.
O julgamento de Jhonnatan foi adiado em outras ocasiões e ocorreu apenas na terceira tentativa. Ao final, os jurados o condenaram por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe. A tese da defesa, que pedia a desclassificação do crime para lesão corporal, foi rejeitada com base em laudos médicos que apontaram lesões graves e indícios de tentativa de asfixia.
Além da pena de prisão, o empresário também foi condenado ao pagamento de R$ 50 mil por danos morais à vítima.