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Empresária ajuda funcionárias a denunciarem relações abusivas; amparo acontece cada vez mais fora do ambiente familiar

Projeto Transformando Vidas ajuda mulheres a entenderem os danos causados por relações abusivas. As mulheres também recebem profissionalização para terem a independência financeira.

Acolhimento, cuidado e atenção. Gestos simples que podem fazer a diferença quando se trata de violência contra a mulher. Cada vez mais, os ambientes em que as mulheres estão inseridas – sejam eles familiares ou profissionais demonstram preocupação e tem cada vez mais um olhar mais atencioso aos sinais de que a vítima possa estar sob ameaça psicológica, patrimonial ou física.

Prova disso, são os relatos que foram compartilhados pela empresária Karol Barros, em São Luís. Dona de uma rede de confeitarias, na Capital, ela presenciou bem de perto que a violência doméstica pode estar bem próxima ao ambiente de trabalho da vítima.

A violência doméstica pode estar ali inserida em pequenos sinais no ambiente de trabalho, bem diferente do que estamos acostumas perceber ou ouvir nos noticiários diariamente, já que é mais comum acontecer ou ser identificada no ambiente familiar. Mas foi com empatia, olhar e atenção que a empresária percebeu que algumas de suas funcionárias estavam sendo ameaçadas e carregando no corpo ou em atitudes os sinais da violência.

Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, a empresária resolveu falar abertamente sobre os casos “no ambiente de trabalho”, após ela tomar conhecimento do depoimento da enfermeira que trabalhava em São José de Ribamar, na última sexta-feira (20).

A enfermeira que levou diversas facadas do ex-companheiro no rosto disse em seu depoimento que o agressor fazia uso da violência psicológica e financeira. “Um dia vou no teu trabalho e vou fazer você passar vergonha”, relatou a enfermeira que temia pela sua reputação e estabilidade no trabalho”, disse em seu depoimento.

Esse depoimento soou como um alerta para que a empresária se lembrasse do primeiro caso dentro de sua empresa com uma de suas funcionárias há seis anos atrás.

Segundo ela, a funcionária era exemplar, tinha assiduidade, trabalhava super bem e repentinamente começou a faltar. O comportamento fora do normal, despertou a atenção de Karol Barros, que começou a questionar a funcionária sobre suas ausências.

“Ao perceber que a vítima, minha funcionária, em seu emprego tinha uma “liberdade” financeira, o agressor começou a mantê-la em cárcere privado. Então, na época comecei a dar o suporte que conseguia e a forma que eu poderia ajudar. O caso foi denunciado e mais à frente ela conseguiu se libertar do relacionamento abusivo”, cita a empresária no vídeo divulgado em suas redes sociais.

Esse foi apenas um dos casos que Karol Barros deu apoio e auxiliou as vítimas dentro do empreendimento. Em sua empresa, ela teve conhecimento no total de quatro casos. Em três deles, as vítimas denunciaram os casos e se libertaram. Em apenas um, a vítima acabou pedindo demissão.

Permanência em Relacionamentos Abusivos

Diversas são as nuances para que as mulheres permanecem em relacionamentos abusivos e continuem a viver com os seus agressores.

O Instituto de Pesquisa DataSenado divulgou em 2025 a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher que revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar no mesmo ano.

A pesquisa também revelou um dado importante – a dependência financeira do agressor. Os dados colhidos mostram que (19%) das vítimas estão fora da força de trabalho.

A violência também acontece ainda no início da vida adulta, quando a mulher está em busca de oportunidades profissionais e de formação acadêmica. As agressões costumam começar cedo: a maior parte das entrevistadas (38%) disse que foi agredida pela primeira vez até os 19 anos.

Em segundo lugar, vem a preocupação do sustento com os filhos. O principal motivo para não denunciar é a preocupação com os filhos (17%), seguido por descrença na punição (14%) e confiança de que seria a última agressão (13%).

Mais o maior dado é sobre a falta de apoio em seu ciclo familiar ou de amigos diante do caso de agressão. O DataSenado apurou que, em 40% dos casos, nenhuma testemunha ofereceu ajuda.

“O fato de 71% das mulheres serem agredidas na frente de outras pessoas, e, dentre esses casos, 7 em cada 10 serem presenciados por, pelo menos, uma criança, mostra que o ciclo de violência afeta muitas outras pessoas além da mulher agredida”, observou Marcos Ruben de Oliveira.

Estatísticas

O trabalho segue no combate à violência doméstica. No entanto os casos ainda existem. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informa que o Maranhão registrou uma redução de 25% nos casos de feminicídio em todo o estado. Foram registrados 68 casos em 2024 e 51 ano passado.

Em 2026, nos meses de janeiro e fevereiro, foram registrados 3 casos consumados de feminicídio e 25 tentativas do crime. No mesmo período do ano passado foram registrados 8 casos de feminicídios e 20 tentativas.

Quem pode apoiar?

No ciclo de violência a mulher agredida busca apoio onde ela vai se sentir segura e confortável. De acordo com a pesquisa DataSenado, mais da metade das vítimas buscaram apoio nas famílias (57%).
Nas igrejas a mão estendida também é de apoio (53%), assim como entre amigos (52%).
Em terceiro caso as vítimas buscam ajuda policial (28%) Polícia Militar, e (28%) disseram que registram as denúncias. As demais utilizaram o telefone 180 disque denúncia (10%).

Governo do Estado

No estado, a rede de enfrentamento contra a Mulher é desenvolvida pela Secretaria de Estado da Mulher (Semu). Esse trabalho é realizado de forma estruturada e articulada com atendimento policial, jurídico, psicossocial e ações voltadas à autonomia econômica.
Esse trabalho é desenvolvido para garantir que a mulher em situação de violência encontre, em um fluxo integrado, proteção, acolhimento e encaminhamento.

As medidas e denúncias podem ser feitas na Casa da Mulher Brasileira de São Luís e das Casas da Mulher Maranhense no interior do estado. Essas unidades funcionam como equipamentos estratégicos da política pública, oferecendo atendimento humanizado, orientação jurídica, apoio psicossocial e articulação com a rede de proteção.

Atualmente, há Casas da Mulher Maranhense em Caxias, Balsas, Imperatriz, Barra do Corda e Itapecuru. No próximo dia 8 de março, será inaugurada a Casa da Mulher Maranhense de Presidente Dutra, ampliando a capilaridade da rede e fortalecendo o acesso das mulheres aos serviços especializados na região.

Além do registro da denúncia, a rede oferece acompanhamento psicológico, orientação social e jurídica, encaminhamento para medidas protetivas e integração com políticas de assistência social e qualificação profissional. A autonomia econômica é tratada como eixo estratégico no enfrentamento à violência, com ações de capacitação e inclusão produtiva voltadas a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Os canais de acesso incluem ainda as Delegacias Especializadas da Mulher nos municípios, os Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs), o Ligue 180 — canal nacional e gratuito — e o 190, em casos de emergência.

As mulheres também podem ser acolhidas dentro dos órgãos estaduais, que dispõem de fluxos internos para orientação e encaminhamento de servidoras que necessitem de apoio, garantindo sigilo e acesso à rede especializada. O atendimento é universal e pode ser buscado por qualquer mulher, independentemente de vínculo profissional.

Como quebrar o ciclo da Violência??

Um dos órgãos do estado que ajudam as mulheres a quebrarem os ciclos de violência doméstica e familiar é Defensoria Pública do Estado -DPE, que desde 2024 desenvolve o programa ‘Te Alui, Mulher’.

O direito à proteção e a defesa das mulheres estão previstos nos artigos 28 e 35 da Lei Maria da Penha. No entanto, as medidas de enfrentamento ainda não são abrangentes o suficiente diante a complexidade da violência doméstica.

Por isso Defensoria Pública também possui um papel fundamental a ajuizar ações judiciais como divórcio/dissolução de união estável, ação de alimentos, guarda, queixa crime, no requerimento das medidas protetivas de urgência.

Para além das medidas extrajudiciais e judiciais é realizada a educação em direitos através de palestras, workshops e campanhas informativas que enfatizam a importância de denunciar casos de violência.

A 1ª edição do “Te Alui, Mulher” ocorreu no dia 27 de abril de 2024, no bairro Anjo da Guarda, em São Luís, com 206 atendimentos que podem incluir atendimento jurídico, psicológico, emissão de documentos, cursos profissionalizantes, cadastro em programas sociais, odontológico entre outros. Esses atendimentos já resultaram em mais de 4 mil atendimentos ao longo de 10 edições.

Projeto Transformando Vidas

Ao trabalhar com mulheres e perceber que as políticas públicas tardam ou não chegam as que são mais vulneráveis na periferia da Grande Ilha, Antonieta Lago, que é pedagoga e já foi gestora da Secretaria da Mulher, decidiu desenvolver o projeto “Transformando Vidas”.

O projeto visita bairros periféricos da Capital levando não apenas oficinais e oportunidades profissionais, mas uma escuta assistida onde as mulheres possuem a oportunidade de desabafar em uma rede segura de acolhimento.

“Quando percebemos os casos de violência, de início as mulheres não desejam recorrer as denúncias formais ou ir em uma delegacia, por exemplo. Primeiramente, elas desejam terem informações, tirar dúvidas entender as circunstâncias, se sentirem seguras para só depois buscarem uma formalização jurídica”, disse Antonieta Lago.

A rede de mulheres na periferia atua não apenas na disseminação das ideias, mas no protagonismo, empoderamento e qualificação onde já atendeu cerca de 1.000 mil mulheres com temáticas transversais nos direitos à violência contra a mulher. Todo o processo ocorre no momento da realização dos cursos que contam com aulas além da temática profissional.

Atualmente o curso para por uma seleção para Massoterapia, Unha em Gel, Auxiliar Administrativo, Corte e Costura, Tranças e Agente de Portaria, atendendo bairros como Salina Sacavém, Jordoa, Vila Vicente Fialho, Vila Itamar e Vila Ariri.

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