Em São Luís, 1.298 casos de obesidade e 2.034 de sobrepeso foram registrados
Em São Luís, 1.298 casos de obesidade e 2.034 de sobrepeso foram registrados
A obesidade infantil no Maranhão vai muito além da alimentação. Segundo dados da Organização Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade (LCSO), mais de 24 mil crianças foram diagnosticadas com obesidade em 2024 no estado. Em São Luís, 1.298 casos de obesidade e 2.034 de sobrepeso foram registrados. Os números são preocupantes e revelam que o problema é mais grave que o da desnutrição.
📲 Clique e participe do canal do Difusora News no Whatsapp!
O caso de Lucas Portela, menino maranhense de 11 anos, mostra como a obesidade pode esconder dores profundas. Lucas, que chegou a pesar quase o dobro do recomendado, comia escondido e evitava contato social. Após ajuda médica, a família descobriu que ele havia sido vítima de abuso sexual — a comida era um refúgio para a dor que ele não conseguia expressar.
Para a psicóloga Karolayne Oliveira, a alimentação compulsiva pode ser uma resposta a traumas emocionais, como violência ou abandono. “O corpo da criança pode estar gritando por socorro, e ninguém percebe”, alerta. Segundo ela, é fundamental olhar além da balança e entender o sofrimento que leva à compulsão alimentar.
O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) também apontou hábitos prejudiciais: 33% das crianças maranhenses consomem ultraprocessados com frequência, 20% tomam bebidas adoçadas regularmente e 17% ingerem doces com frequência.
A nutricionista Carmen Lúcia Pavani reforça que a mudança alimentar deve vir com afeto, não punição. “Comer precisa voltar a ser um momento de prazer, e não de culpa ou fuga”, afirma. Ela defende a participação da criança no preparo das refeições e um ambiente de escuta e acolhimento.
Com acompanhamento psicológico e orientação nutricional, Lucas hoje dá passos importantes na recuperação. “Ele já consegue dizer quando está triste, e isso é uma vitória enorme”, conta a mãe.
A história de Lucas é um alerta: por trás de um prato cheio pode estar um vazio emocional profundo. O combate à obesidade infantil exige escuta, empatia e apoio em rede — entre família, escola e profissionais da saúde.
Informações de Cores Comunicação