Dois casos de tentativa de feminicídio com uso de gasolina foram registrados em menos de 48 horas no Maranhão. Os crimes aconteceram em Barreirinhas e Rosário e foram destaque no programa Bandeira 2, da TV Difusora.
No primeiro caso, uma mulher de 26 anos ficou gravemente ferida após ter o corpo incendiado pelo companheiro em Barreirinhas. O crime aconteceu na segunda-feira (27), após uma discussão entre o casal.
A vítima, Nathieli Pereira, contou à reportagem que o suspeito teria planejado o ataque.
Segundo ela, após uma discussão na noite anterior, o companheiro foi até a oficina onde trabalhava como mecânico e pegou um galão de gasolina. Ao retornar para casa, os dois voltaram a discutir.
Nathieli relatou que foi atingida por um pedaço de madeira e, em seguida, o homem jogou gasolina sobre seu corpo e ateou fogo. “Ele jogou gasolina em mim e acendeu o isqueiro. Eu consegui jogar água no cabelo, tirar a roupa e correr para a rua. Os vizinhos me ajudaram”, contou.
A mulher sofreu queimaduras graves e permanece internada. Após o ataque, o suspeito fugiu levando a filha do casal, uma menina de apenas quatro anos. Horas depois, a criança foi localizada em São Luís e entregue aos familiares da vítima pela avó paterna.
Mesmo hospitalizada, Nathieli afirma viver com medo enquanto o companheiro continua foragido. “Ele destruiu a minha vida e a da minha filha. Ela está traumatizada, passando por atendimento psicológico. Tenho medo do que ainda possa acontecer”, desabafou.
A Polícia Civil segue realizando buscas para localizar o suspeito, que poderá responder por tentativa de feminicídio.
Suspeito é preso em Rosário
O segundo caso ocorreu em Rosário. Na manhã desta quarta-feira (29), a Polícia Civil do Maranhão prendeu um homem investigado por tentar matar a ex-companheira utilizando gasolina.
A prisão foi realizada durante a Operação Mulher Segura. Segundo a Delegacia Especial da Mulher, o crime aconteceu na madrugada de segunda-feira (27) no bairro Cidade Nova.
De acordo com as investigações, após uma discussão, o suspeito jogou gasolina na vítima e ateou fogo. A mulher sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo e permanece internada em estado grave em um hospital de São Luís.
O delegado regional de Rosário, Adriano Mendes, informou que a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado logo após tomar conhecimento do crime. O pedido foi aceito pela Justiça e, após uma força-tarefa envolvendo equipes policiais e apoio na divulgação do caso, o suspeito foi localizado e preso.
Ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Cinco em cada dez já sofrearam violência doméstica
Os dois casos chamam atenção para um cenário de violência contra a mulher em todo Brasil.
Uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão e do Instituto Locomotiva, com apoio da Uber, revelou que cinco em cada dez mulheres brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência doméstica. Em contrapartida, apenas um em cada dez homens admitiu ter cometido algum tipo de agressão contra a parceira.
O levantamento mostra que a violência ainda é subnotificada e, muitas vezes, naturalizada. Quando perguntadas de forma geral, 34% das mulheres disseram já ter sido vítimas de violência por um parceiro. No entanto, após serem apresentadas às diferentes formas de violência previstas na Lei Maria da Penha, esse percentual subiu para 54%.
A pesquisa também aponta que 80% dos entrevistados acreditam que a Lei Maria da Penha ainda não funciona como deveria, enquanto 82% afirmam que a legislação, sozinha, não é suficiente para combater a violência contra a mulher.
Entre os tipos de violência mais relatados, a violência psicológica aparece em primeiro lugar (42%), seguida pela violência moral (29%), violência física (25%) e violência sexual (10%).





