O número de vítimas de crimes sexuais praticados no ambiente virtual contra crianças e adolescentes cresceu 55% no Maranhão entre 2024 e 2025, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O avanço chama atenção para os riscos enfrentados por jovens em redes sociais, aplicativos de mensagens e até jogos eletrônicos.
Entre os principais alvos estão adolescentes de 14 a 17 anos. Nesse tipo de crime, os agressores costumam utilizar estratégias de manipulação para conquistar a confiança das vítimas, solicitar imagens íntimas, fazer ameaças ou tentar marcar encontros presenciais.
Em muitos casos, a abordagem começa de forma aparentemente inofensiva, com conversas e troca de mensagens, até que o criminoso passe a fazer pedidos ou exigências.
Mudanças de comportamento podem indicar abuso
A psicóloga infantil Aline Branco explica que mudanças repentinas no comportamento podem servir como sinais de alerta para pais e responsáveis.
Segundo ela, insônia, terror noturno, queda no rendimento escolar, isolamento e crises de ansiedade estão entre os comportamentos que merecem atenção.
“Quando nós percebemos esses sinais, essa mudança, nós precisamos avaliar e investigar o que aconteceu para que a gente possa tomar as devidas providências e o encaminhamento correto”, orienta a psicóloga.
A especialista ressalta ainda a importância do acompanhamento da rotina digital de crianças e adolescentes, além da manutenção de um ambiente em que eles se sintam seguros para relatar situações de desconforto ou violência.
Lei amplia punição para crimes digitais
O cenário também levou a mudanças na legislação. A Lei Federal nº 15.487 ampliou as ferramentas de combate aos crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes no ambiente digital.
Entre as medidas previstas estão punições para condutas relacionadas à manipulação e à produção de imagens envolvendo menores de idade, incluindo montagens e conteúdos falsos, além do endurecimento das penas para produção, armazenamento e compartilhamento de material de abuso sexual infantil.
Para a advogada Jesus Reis, presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB Maranhão, as mudanças fortalecem a atuação das autoridades na investigação de crimes praticados pela internet.
“Ela veio fortalecer, dar ferramentas para que a polícia possa investigar melhor os crimes digitais”, afirmou.
Apesar do avanço da legislação, especialistas destacam que a prevenção continua sendo fundamental. O diálogo aberto entre pais, responsáveis e filhos, aliado ao acompanhamento da atividade digital, pode ajudar a identificar abordagens suspeitas e interromper situações de violência antes que elas se agravem.





