Movimento foi marcado por conflitos e pela propagação de novos ideais políticos, sobretudo por meio de jornais e clubes republicanos.
Movimento foi marcado por conflitos e pela propagação de novos ideais políticos, sobretudo por meio de jornais e clubes republicanos.
A adesão do Maranhão à República consolidou-se após um intenso movimento marcado por conflitos e pela propagação de novos ideais políticos, sobretudo por meio de jornais e clubes republicanos.
Como aborda o livro “Conhecendo e debatendo a história do Maranhão”, do professor Joan Botelho, a adesão da província à nova forma de governo não caracterizou-se como um ato passivo.
Segundo a obra, anos antes da proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, vários acontecimentos atuaram na projeção dos princípios republicanos, principalmente no interior do Maranhão.
Na Vila de Pastos Bons, por exemplo, começaram a circular impressos que convocavam a população a opor-se contra a monarquia, o que resultou no assassinato do comandante militar da região. De acordo com o livro, o episódio ficou conhecido como República de Pastos Bons.
“Posteriormente, em 1848, na Vila de São Bento, um advogado distribuiu pasquins, invocando a República: o que possivelmente deve ter sido influência da proclamação da República burguesa, na França”.
No interior da província do Maranhão, o movimento republicano ganhou força com a circulação de jornais, panfletos e a fundação de clubes que defendiam o novo regime.
“Em cidades como Grajaú, Caxias, Cururupu, Carolina, Pastos-Bons, Loreto, Riachão, Mirador e principalmente Barra do Corda, articulações variadas projetaram os ideais”.
A disputa política entre liberais e conservadores pelo poder local culminou na criação dos primeiros clubes republicanos, fundados em São Luís, Cururupu, Barra do Corda, São José dos Matões, Caxias, Carolina e Grajaú.
“As dissidências, sobretudo entre os liberais, originaram os primeiros clubes republicanos, já que o Maranhão não possuía um partido republicano capaz de defender as ideias de República”.
Porém, conforme a obra de Joan Botelho, foi Barra do Corda que se consolidou como a maior referência do movimento republicano maranhense, após o juiz municipal Isaac Martins e o promotor público Dunshee de Abranches apoiarem os ideais da República.
“Juntaram-se a eles, Antônio Rocha Lima, proprietário do Jornal o Norte, órgão divulgador das ideias republicanas, além de Frederico Figueira, Leão Léda, Epifânio Moreira e outros bacharéis e magistrados formados, inclusive, na Faculdade de Direito de Recife”.
A fragilidade na organização das forças políticas locais e no sistema partidário maranhense, que mantinha vínculos com o império, também foram fatores que facilitaram a construção do movimento republicano.
O livro do professor cita que, desde a década de 1870, dissidências entre os partidos Liberal e Conservador fragmentaram as siglas partidárias da província, resultando no surgimento de uma “nova geração de políticos”.
Em São Luís, o movimento mais relevante aconteceu às vésperas da proclamação da República, no Largo do Carmo.
Joan Botelho menciona que estudantes vaiaram o Conde d’Eu, príncipe e militar francês casado com a princesa Isabel, e gritaram “Morra a monarquia e viva a República!”.
Após a proclamação da nova forma de governo, o presidente da província do Maranhão, Tito Augusto Pereira de Matos, foi deposto, e uma junta provisória assumiu o comando.
“Assumiu, então, uma junta provisória, tendo à frente os militares: João Luís Tavares, Cândido Floriano da Costa Barreto, Augusto Frutuoso Monteiro da Silva, João Fernandes Milanês: e os civis: Francisco Xavier de Carvalho, José Francisco de Viveiros e Francisco de Paula Belfort Duarte”, explica o professor em seu livro.
A adesão do Maranhão à República foi oficializada em 18 de novembro de 1889, durante uma cerimônia realizada no palácio do governo.