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Comércio maranhense desacelera em abril; endividamento das famílias preocupa setor

Apesar do resultado negativo na comparação mensal, a atividade comercial segue em patamar superior ao registrado há um ano. Em relação a abril de 2025, o varejo maranhense cresceu 0,6%.

Foto: Reprodução

Após um início de ano marcado pelo crescimento das vendas, o comércio varejista do Maranhão perdeu ritmo em abril e acompanhou a desaceleração observada em todo o país.

Dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o volume de vendas no estado recuou 1,7% em relação a março. No Brasil, a retração foi de 1,5%, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de alta.

Apesar do resultado negativo na comparação mensal, a atividade comercial segue em patamar superior ao registrado há um ano. Em relação a abril de 2025, o varejo maranhense cresceu 0,6%. Já o varejo ampliado, que inclui segmentos como veículos, motos e material de construção, avançou 6%, desempenho acima da média nacional.

No cenário nacional, o resultado representou o pior desempenho do comércio desde junho de 2022, quando o setor registrou retração de 2,8%. Com o recuo de abril, o varejo brasileiro passou a operar 1,5% abaixo do maior nível da série histórica, alcançado no mês anterior.

Segundo avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio-MA), o desempenho de abril reflete uma acomodação da atividade após meses de forte expansão, mas não indica uma reversão da trajetória de crescimento observada ao longo de 2026.

Endividamento limita avanço das vendas

Embora o mercado de trabalho aquecido e o aumento da renda continuem sustentando o consumo, os juros elevados e o crescimento do endividamento têm reduzido o poder de compra das famílias.

Levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizado pela Fecomércio-MA, apontou que 82,6% das famílias de São Luís possuíam algum tipo de dívida em maio, o maior percentual registrado desde 2021. O comprometimento médio da renda com débitos chegou a 29,8%.

Ainda assim, alguns indicadores demonstram que os consumidores continuam movimentando a economia. Pesquisa da Fecomércio-MA para o Dia das Mães estimou uma circulação de aproximadamente R$ 141 milhões no comércio da capital maranhense, impulsionada pelas compras para a data comemorativa.

Combustíveis puxam queda nacional

No Brasil, o principal impacto negativo veio do segmento de combustíveis e lubrificantes, que registrou retração de 6,2% nas vendas. O resultado foi influenciado pela alta dos preços internacionais em meio às tensões no Oriente Médio.

Também apresentaram queda os segmentos de artigos de uso pessoal e doméstico, equipamentos de informática, móveis e eletrodomésticos, vestuário e produtos farmacêuticos.

Por outro lado, supermercados, hipermercados e estabelecimentos de alimentos e bebidas registraram crescimento de 1,3%, enquanto o setor de livros, jornais e papelaria avançou 1,1%.

Perspectiva segue positiva

Apesar da desaceleração observada em abril, a Fecomércio-MA avalia que o resultado não representa uma mudança na trajetória de crescimento do comércio em 2026. A expectativa para os próximos meses permanece moderadamente positiva, sustentada pelo mercado de trabalho aquecido, pelo aumento da renda e pelas datas sazonais que tradicionalmente impulsionam as vendas.

No entanto, o desempenho da atividade comercial continuará condicionado à evolução dos juros, à oferta de crédito e à capacidade financeira das famílias para manter o consumo.

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