A cerâmica produzida em Rosário, no Maranhão, recebeu um reconhecimento nacional. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao município o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP) para a produção cerâmica local.
A certificação reconhece que a cerâmica de Rosário tem origem e reputação associadas ao município. Com o novo registro, o Brasil passa a contar com 179 Indicações Geográficas, sendo 135 na modalidade Indicação de Procedência.
Em Rosário, a produção cerâmica faz parte da história de várias famílias e é uma atividade passada de geração em geração. O processo começa com a preparação da argila e segue pelas etapas de modelagem, secagem, acabamento e queima das peças.
Para os oleiros, o reconhecimento representa a valorização de um trabalho que, durante décadas, ajudou a sustentar famílias e a preservar um conhecimento tradicional.

A produção utiliza principalmente dois tipos de barro encontrados na região. O amarelo, de textura mais fina, é usado nos detalhes e acabamentos. Já o barro cinzento, mais espesso, é utilizado em peças maiores, que exigem maior resistência.
Depois de preparada, a argila é moldada manualmente ou em tornos artesanais. As peças passam por secagem natural, recebem acabamento e são levadas aos fornos tradicionais. A etapa de queima pode durar entre 24 e 48 horas.
A atividade também mudou ao longo do tempo. Se antes os oleiros produziam principalmente objetos utilizados no dia a dia, como potes e utensílios, hoje também fabricam peças decorativas e produtos destinados ao turismo, como jarros, lembranças e objetos ornamentais.

Para o presidente da Associação dos Oleiros de Rosário, Amarildo Silva, a Indicação Geográfica representa o resultado de anos de trabalho da categoria.
“É um motivo de nos orgulharmos, porque, quando a gente vê que está indo nessa direção, é porque de fato está no caminho certo.”
Além de reconhecer a tradição e a origem da cerâmica, o registro pode contribuir para ampliar a comercialização dos produtos e fortalecer a relação da atividade com o turismo. A expectativa é que o reconhecimento ajude a agregar valor às peças e gere novas oportunidades para os artesãos.
O Sebrae participou da organização e da estruturação da documentação necessária para o processo de reconhecimento. Agora, a instituição pretende ajudar os oleiros a aproveitar as oportunidades que podem surgir com a certificação.
“A partir de agora, esses oleiros também terão novos canais de comercialização, poderão ser posicionados inclusive no turismo. O trabalho do Sebrae é qualificar esses oleiros na área de gestão, na parte de vendas, posicionando eles da melhor forma no mercado”, disse David Amorim, gerente regional do Sebrae.
Com a Indicação Geográfica, a cerâmica de Rosário passa a ter um reconhecimento que associa oficialmente a produção ao território onde é feita. Para os artesãos, o desafio agora é transformar essa valorização em novos negócios, geração de renda e continuidade da tradição.
Para manter esse conhecimento vivo, os oleiros também apostam na chegada de novas gerações ao ofício. A expectativa é que o reconhecimento ajude não apenas quem já trabalha com o barro, mas também incentive jovens a aprender e dar continuidade à produção que faz parte da história de Rosário.





