Substâncias com tirzepatida eram transportadas sem autorização sanitária e podem configurar crime de contrabando.
Substâncias com tirzepatida eram transportadas sem autorização sanitária e podem configurar crime de contrabando.
Uma carga de canetas emagrecedoras foi apreendida pela Polícia Federal (PF), na madrugada deste domingo (15), no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado, em São Luís. A carga era transportada sem a devida autorização sanitária e sem o recolhimento de tributos.
A ação foi realizada durante fiscalização realizada pela PF e apreendeu ainda diversos frascos contendo tirzepatida, substância utilizada em medicamentos para tratamento da obesidade.
Segundo a Polícia Federal, as canetas estavam na bagagem de um passageiro que havia embarcado em Foz do Iguaçu (PR). Durante a inspeção de rotina, os agentes identificaram os produtos sendo transportados sem autorização sanitária e sem o recolhimento dos tributos exigidos para importação.
A tirzepatida é um princípio ativo que exige controle rigoroso e autorização específica dos órgãos reguladores para entrada e comercialização no Brasil, devido aos riscos associados ao uso inadequado.
De acordo com a Polícia Federal, a fiscalização integra ações voltadas ao combate à entrada irregular de medicamentos no país, prática que pode representar riscos à saúde pública e alimentar o mercado clandestino de produtos voltados ao emagrecimento.
Todo o material apreendido foi encaminhado à sede da Polícia Federal para os procedimentos legais cabíveis. O passageiro poderá responder pelos crimes de contrabando e infração sanitária.
A apreensão registrada neste domingo é o segundo caso envolvendo medicamentos irregulares no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado em menos de uma semana.
Na última quinta-feira (12), a Polícia Federal já havia apreendido frascos das substâncias conhecidas como “canetas emagrecedoras”, além de diversos equipamentos eletrônicos sem comprovação fiscal, durante uma fiscalização de rotina no terminal.
Na ocasião, as mercadorias estavam ocultas na bagagem de um casal residente no município de Santo Antônio dos Lopes (MA), que também havia embarcado em Foz do Iguaçu (PR). Entre os medicamentos apreendidos estavam produtos à base de tirzepatida, retatrutida e peptídeos, transportados sem autorização sanitária de importação.
Além das medicações, os policiais encontraram itens eletrônicos e perfumes importados sem documentação fiscal, entre eles smartwatches, câmeras eletrônicas, aparelhos de IPTV, HDs externos e fones de ouvido.
Todo o material foi encaminhado para a sede da Polícia Federal em São Luís, onde foram adotadas as medidas legais cabíveis.
As famosas “canetas emagrecedoras” têm ganhado grande visibilidade nos últimos anos, especialmente nas redes sociais, onde são frequentemente divulgadas como soluções rápidas para perda de peso. Especialistas, no entanto, alertam que o uso indiscriminado desses medicamentos pode trazer sérios riscos à saúde.
Diante do aumento de notificações de efeitos adversos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância sobre medicamentos agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Segundo a agência, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sempre com prescrição e acompanhamento médico. O monitoramento profissional é necessário devido ao risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, inflamação do pâncreas que pode evoluir para formas graves e até fatais.
Dados de autoridades internacionais reforçam a preocupação. No Reino Unido, a agência reguladora MHRA registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite associadas ao uso dessas substâncias, incluindo 19 mortes. No Brasil, entre 2020 e dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos, com seis casos suspeitos de óbito.
A Anvisa orienta que pacientes procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, sintomas que podem indicar pancreatite. Profissionais de saúde também devem interromper o tratamento ao suspeitar da reação e notificar os casos no sistema VigiMed, que monitora a segurança desses medicamentos no país.