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Canetas emagrecedoras falsificadas podem causar infecções, intoxicação e até lesões no pâncreas, alerta nutróloga

O aumento da procura por medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, também tem impulsionado um problema preocupante: a comercialização de canetas emagrecedoras falsificadas. Vendidos pela internet e por canais não autorizados, esses produtos representam sérios riscos à saúde.

Em entrevista ao Portal Difusora News, a nutróloga Dra. Bruna Camarão faz um alerta sobre os perigos do uso desses medicamentos sem garantia de procedência. Segundo a especialista, o principal risco está na incerteza sobre o conteúdo das canetas falsificadas.

“As consequências vão desde a falta de efeito no tratamento até complicações graves, como infecções, reações alérgicas, intoxicação, alterações na glicemia e lesões no pâncreas, situações que podem exigir atendimento médico de urgência”, afirmou.

O alerta ganha ainda mais importância diante da popularização de medicamentos como Ozempic e Mounjaro. De acordo com levantamento do Instituto Locomotiva, 62% dos brasileiros conhecem alguém que usa ou já utilizou essas canetas. A alta demanda, aliada ao elevado custo dos medicamentos, tem levado muitas pessoas a buscar alternativas mais baratas, abrindo espaço para a atuação de criminosos.

A médica explica que ainda não existem versões genéricas desses medicamentos, já que as substâncias são protegidas por patentes, que garantem exclusividade de fabricação e comercialização às empresas responsáveis. Essa situação favorece a circulação de produtos falsificados no mercado.

A preocupação também é compartilhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera os medicamentos falsificados um problema crescente de saúde pública.

Segundo a Dra. Bruna Camarão, além de não conterem o princípio ativo correto ou apresentarem dosagens inadequadas, as canetas falsas podem estar contaminadas por bactérias devido à ausência de controle sanitário durante a fabricação.

Para evitar golpes, a especialista orienta que os consumidores desconfiem de embalagens com erros de impressão, ausência de informações como lote e prazo de validade, lacres violados e preços muito abaixo dos praticados no mercado. Ela também recomenda evitar compras realizadas por meio de redes sociais, vendedores informais, amigos ou pessoas que trazem os medicamentos do exterior sem comprovação de origem.

Outro ponto de atenção é o armazenamento. A nutróloga ressalta que até mesmo os medicamentos originais podem perder a eficácia e oferecer riscos caso sejam transportados ou armazenados sem a refrigeração adequada.

“Esses medicamentos devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico, já que possuem contraindicações e possíveis efeitos adversos que precisam ser monitorados”, reforça.

Em caso de suspeita de uso de um medicamento falsificado, a recomendação é interromper imediatamente a aplicação e procurar atendimento médico de urgência. Também é importante guardar a embalagem e o dispositivo para que possam ser analisados pelos órgãos de vigilância sanitária.

A especialista destaca ainda que não existe solução rápida para o emagrecimento. Segundo ela, o tratamento da obesidade deve ser individualizado e associado a uma alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento profissional. “Desconfiar de ofertas muito vantajosas é uma das principais formas de evitar riscos à saúde”, conclui.

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