O calor intenso tem chamado a atenção de moradores do Maranhão. Nas ruas, algumas pessoas recorrem a guarda-chuvas e outros objetos para tentar se proteger do sol. A sensação é de temperaturas cada vez mais altas.
“Tá bem quente, bem abafado. O vento tá assim parado, ultimamente”, contou a estudante Maryssa Kethelyn.
A artesã Naelly Raquel também percebeu o aumento do calor nos últimos dias. “Demais nesses últimos dias. Muito”, afirmou.
O Maranhão está entre as áreas que podem sentir os efeitos do El Niño, fenômeno climático que pode provocar aumento das temperaturas e mudanças no regime de chuvas.
O calor excessivo também exige cuidados com a saúde, principalmente entre crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Segundo o infectologista Carlos Fria, as ondas de calor podem provocar problemas como desidratação, insolação, fadiga, náuseas, vômitos, tontura e dor de cabeça.
Em situações mais graves, a exposição prolongada ao calor pode levar à exaustão térmica e ao chamado golpe de calor, quadro que pode ser fatal.
Especialistas discutem impactos das mudanças climáticas
Para discutir os possíveis impactos do chamado Super El Niño e de outros fenômenos climáticos, um workshop reuniu representantes de diferentes setores ligados à proteção ambiental e às mudanças climáticas no Maranhão.
A proposta é fortalecer a governança climática no estado. A ideia é unir conhecimento científico, políticas públicas e participação da sociedade.
O objetivo também é elaborar ações de curto, médio e longo prazo para preparar o Maranhão para os efeitos das mudanças climáticas.
“O Fórum Maranhense de Meio Ambiente e Emergência Climática promove esse debate para poder ouvir a comunidade, o que ela está passando, e ouvir os técnicos sobre o que eles têm para propor”, explicou Ronald Chaves, presidente e coordenador do Fórum Maranhense de Meio Ambiente e Emergência Climática.
Outro ecossistema que pode sofrer com o aumento das temperaturas e a redução das chuvas é o manguezal.
O Maranhão possui uma das maiores extensões de manguezais do Brasil. Essas áreas são importantes para o equilíbrio ambiental e também para a economia de comunidades que dependem dos recursos naturais.
A fundadora e coordenadora do Centro de Recuperação de Manguezais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Flávia Mochel, explica que o aumento da salinidade e a falta de água podem prejudicar esse ecossistema.
“O manguezal vai sofrer tanto pela falta d’água como pelo aumento da salinidade, que vai ser prejudicial à planta”, afirmou.
Segundo a especialista, os impactos podem chegar à economia e à renda de comunidades que dependem diretamente dos manguezais. “A floresta produz peixes, camarões, ostras e caranguejos, gerando segurança alimentar e renda para a população”, destacou.
As propostas discutidas durante o encontro devem servir como base para a definição de medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.
A expectativa é reunir as contribuições dos diferentes setores e elaborar um documento com ações que possam ser encaminhadas às instituições responsáveis.
“A gente possa, então, ao final desse evento, sentar com os nossos técnicos, elaborar um produto que a gente possa estar encaminhando às instituições sobre o que fazer mediante o que foi debatido aqui”, afirmou Ronald Chaves.
A iniciativa busca preparar o Maranhão para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas e reduzir os impactos sobre a população, o meio ambiente e as atividades econômicas.







