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Maranhão

Cacuriá viraliza nas redes e coloca cultura maranhense em evidência

Um vídeo gravado de forma simples, durante um ensaio, foi suficiente para colocar uma das expressões mais tradicionais do Maranhão no centro das atenções da internet. A coreografia intensa, marcada por sensualidade, sincronia e duplos sentidos, fez o cacuriá ultrapassar fronteiras regionais e alcançar mais de 1 milhão de visualizações em poucos dias, despertando curiosidade, elogios e até surpresa entre quem nunca havia visto a dança.

Publicado na última quarta-feira (28), na plataforma X (antigo Twitter), por um dos integrantes do grupo, o vídeo mostra pares dançando em roda, em uma coreografia marcada por forte sincronia, movimentos intensos de quadril e constantes trocas de olhares. A sensualidade e os duplos sentidos, características próprias do cacuriá, chamaram a atenção de internautas de diferentes regiões do Brasil e também do exterior.

Nos comentários, muitos usuários afirmaram nunca ter visto algo semelhante. Elogios ao gingado, à energia e à expressividade da dança se espalharam pelas redes, despertando curiosidade sobre a cultura do Maranhão e suas manifestações populares.

Mais do que uma coreografia, o cacuriá está enraizado nas festas do Divino Espírito Santo, uma das celebrações mais tradicionais do Maranhão. A religiosidade é a base da manifestação e se expressa na dança das caixeiras, rito em que mulheres entoam cânticos de louvação e conduzem o ritmo da celebração.

O cacuriá acontece após a derrubada do mastro, a vara ornamentada que sustenta a bandeira do Divino, quando a solenidade religiosa se transforma em celebração popular. Nesse momento, caixeiras e festeiros se reúnem para cantar, dançar e brincar ao som das caixas, em um clima de descontração que marca a transição entre o sagrado e o festivo.

Com rebolado característico e músicas de duplo sentido, a dança sempre dialogou com o chamado profano, desafiando visões morais conservadoras ao valorizar a sensualidade como parte da expressão cultural.

Executado em duplas organizadas em uma grande roda, conhecida como cordão, o cacuriá mistura passos previamente combinados com momentos de improviso, mantendo o tom brincante da manifestação. Provocações sutis e intensa interação com o público fazem parte da linguagem cênica, sempre conduzida com respeito entre os parceiros.

Musicalmente, o cacuriá reúne influências de marcha, valsa e samba. As caixeiras conduzem o ritmo e puxam as toadas, que falam da natureza, das tradições locais, das brincadeiras antigas e dos desejos populares. Uma voz inicia os versos, enquanto o grupo responde em coro, muitas vezes repetindo ou improvisando estrofes.

A criação do cacuriá é atribuída a Seu Lauro, embora, ao longo do tempo, a dança tenha ficado fortemente associada a Dona Teté, integrante do grupo original e um dos rostos mais emblemáticos da manifestação. Conhecida pela presença de palco, irreverência e estilo marcante, ela teve papel fundamental na difusão do cacuriá.

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