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Boi de Cinzas: fim do Carnaval tem sotaque de matraca na Madre Deus

Cortejo seguiu pelas ruas da Madre Deus até por volta das 15h, arrastando moradores e visitantes ao som de matracas e pandeirões

Em São Luís, a Quarta-Feira de Cinzas (18) foi marcada por tradição e resistência cultural. Mesmo com chuva na capital maranhense, o bairro da Madre Deus viveu mais uma edição do tradicional Cortejo do Boi de Cinzas.

A manifestação cultural tomou as ruas logo nas primeiras horas da manhã. A concentração começou às 7h, no Largo do Caroçudo, reduto histórico das grandes expressões culturais da cidade. De lá, o cortejo seguiu pelas ruas da Madre Deus e bairros adjacentes até por volta das 15h, arrastando moradores e visitantes ao som de matracas e pandeirões.

Criado em 2003 por Zé Pretinho, o Boi de Cinzas se consolidou como um dos eventos mais simbólicos do calendário cultural maranhense. O grupo é conhecido como o boi que “nasce e morre no mesmo dia”. Diferente dos outros bois, ele não participa dos arraiais juninos. Sua única missão é encerrar oficialmente o Carnaval e anunciar a chegada do São João.

Mesmo com a chuva, a festa não perdeu força. A água que caiu do céu se misturou ao suor dos brincantes que não quiseram deixar a folia acabar em silêncio. Na Madre Deus, o clima pós-Carnaval dá lugar à tradição. O bairro, considerado um dos principais redutos culturais da capital, transforma a despedida de Momo em anúncio dos festejos juninos.

Ao longo do percurso, a comunidade participou como pôde. Muitos acompanharam das portas e janelas. Outros seguiram o batalhão pelas ruas, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações. Crianças, jovens e adultos dividiram o mesmo ritmo, reforçando o valor cultural do momento.

O som das toadas do bumba-meu-boi de sotaque da ilha é, para muitos, a cura da ressaca carnavalesca. O cortejo simboliza a transição entre dois dos maiores períodos festivos do Maranhão. As fantasias do Carnaval começam a dar lugar aos chapéus de fita e aos ensaios dos grupos juninos.

Com o fim do cortejo, o Boi de Cinzas cumpre seu papel e “morre” até o próximo ano. Mas deixa claro que, na Madre Deus, o São João já começou.

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