Autoridades do Maranhão investigam uma denúncia de possível fraude na venda de empresas de transporte coletivo em São Luís. O caso envolve um ex-preso que recebe Bolsa Família e que aparece como comprador de um grupo empresarial com dívida milionária.
O caso envolve o Consórcio VL São Luís, que reúne empresas do setor de transporte público. O grupo entrou com pedido de recuperação judicial em novembro de 2025, com uma dívida de pelo menos R$ 177 milhões.
Mesmo com o alto endividamento, o consórcio foi transferido, no início de 2026, para homem de 26 anos. Segundo a investigação, ele teria pago cerca de R$ 3 milhões pelas cotas das empresas.
Além do consórcio, outras empresas do grupo também passaram a constar no nome do beneficiário.
Suspeita de fraude
A negociação é questionada na Justiça. Uma das credoras do grupo entrou com ação civil pública apontando possível fraude societária. Segundo o processo, há suspeita de que o comprador tenha sido utilizado como “laranja” para ocultar o verdadeiro controle das empresas.
A venda das cotas foi feita pela filha de um empresário do setor de transporte, apontado como possível controlador do grupo. Durante a análise do caso, o juiz Douglas Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, classificou os fatos como graves.
De acordo com o magistrado, há indícios de “fraude societária, blindagem patrimonial e confusão na gestão”. O juiz determinou o bloqueio de até R$ 50 milhões em contas ligadas aos envolvidos. Também foi dado prazo de 15 dias para manifestação das partes.
O comprador
O suposto comprador é morador da periferia de Fortaleza, no Ceará. Ele aparece como beneficiário do Bolsa Família, com recebimento mensal de cerca de R$ 600. Segundo registros citados na investigação, os valores pagos pela aquisição das empresas seriam incompatíveis com a renda declarada.
O jovem também possui passagens pela polícia. Em depoimento recente, ele relatou envolvimento com uso de drogas. A suspeita é de que ele tenha sido colocado como sócio formal para assumir responsabilidades jurídicas e financeiras do grupo.
Crise
O grupo empresarial já enfrentava dificuldades antes da negociação.
De acordo com o Ministério Público, em novembro de 2025, trabalhadores paralisaram as atividades por atraso de salários e outros direitos. A defesa das empresas atribui a crise à falta de reajuste adequado da tarifa do transporte público entre 2022 e 2025.
O consórcio afirma estar em situação financeira grave, com bloqueios de contas, dívidas com fornecedores e dificuldades operacionais. Segundo a empresa, a recuperação judicial é necessária para manter o funcionamento do serviço de transporte e preservar empregos.
O caso segue em investigação e pode ter desdobramentos nas esferas civil e criminal.






