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Bastidores do São João geram renda para artesãos no Maranhão

Trabalho em ateliês começa meses antes dos arraiais. No ano passado, festividades injetaram R$ 415 milhões na economia do estado.

Foto: reprodução/TV Difusora

O São João do Maranhão começa muito antes das luzes se acenderem nos arraiais e dos grupos se apresentarem. Em casas, ateliês e pequenas oficinas, trabalhadores da cultura popular passam meses preparando as peças e indumentárias que ajudam a manter viva as maiores tradições do estado.

Esse período é uma grande oportunidade de negócios. O aumento das encomendas e das vendas durante a temporada junina fortalece os pequenos empreendedores e transforma a tradição cultural em trabalho e sustento.

Os números comprovam a força dessa época. De acordo com um levantamento do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc), o São João injetou cerca de R$ 415 milhões na economia estadual entre junho e julho do ano passado. Aproximadamente 8.500 pessoas trabalharam durante o período, movimentando setores como artesanato, alimentação, turismo, transporte e comércio informal.

De brincante a empreendedor

A história do artesão Rogério dos Santos reflete bem essa realidade. Há mais de 20 anos, ele trabalha com bordados e transformou a experiência dentro do bumba meu boi em sua profissão. O interesse começou quando ele produzia a própria roupa para brincar no São João.

Após aprender as técnicas de bordado com amigos, ele decidiu seguir carreira solo. Com o aumento constante das encomendas, Rogério viu a necessidade de profissionalizar o trabalho.

“Eu decidi fazer de uma forma mais organizada e me cadastrar. Abri um CNPJ como Microempreendedor Individual (MEI), fui ao Reviver e tirei a minha carteira de artesão junto com a minha esposa. Então, a gente está todo legalizado. É daqui que saem as peças que ajudam a dar brilho nas apresentações”, conta o artesão.

Planejamento para o ano inteiro

Para os especialistas, o grande desafio é fazer com que a renda do São João se mantenha ao longo dos outros meses. A analista e gestora de projetos do Sebrae-MA, Paula Waldira Bastos, explica que muitas empresas nascem nessa época e conseguem se firmar no mercado.

“Conhecemos várias empresas que começaram de forma sazonal e que hoje mantêm a sua loja como uma marca autoral diferenciada. É preciso ter esse olhar atento para aproveitar a oportunidade e permanecer no mercado, não apenas em um período específico”, destaca Paula.

Nesse processo de profissionalização, a internet é uma grande aliada. As redes sociais deixaram de ser apenas vitrines e se tornaram ferramentas diretas de lucro. “É importante o empreendedor se preparar. O Sebrae oferece cursos de marketing digital para que ele saiba trabalhar a divulgação e consiga converter isso na venda real do seu produto”, completa a analista.

Muito antes do primeiro tambor tocar, o São João já transforma a vida de trabalhadores que unem arte e empreendedorismo. Para Rogério, o dinheiro é fundamental, mas a emoção do trabalho pronto não tem preço. “Gosto de ver a reação do povo. O reconhecimento vem no boca a boca, quando dizem: ‘esse aqui que é meu artesão, que fez meu serviço’. Isso é muito recompensador e gratificante”, finaliza.

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