Conflito no Oriente Médio provocou reajuste no valor do óleo diesel, o que encareceu o frete de mercadorias trazidas ao Maranhão por caminhoneiros.
Conflito no Oriente Médio provocou reajuste no valor do óleo diesel, o que encareceu o frete de mercadorias trazidas ao Maranhão por caminhoneiros.
A recente alta no preço de combustíveis vem gerando impacto no bolso não só de quem precisa abastecer os veículos, mas também em outros produtos de circulação generalizada.É o caso de vários alimentos comercializados na CEASA, no bairro Cohafuma, em São Luís. O local, que tem grande demanda de comerciantes e do público geral, passa por um momento de incertezas diante da necessidade de reajustar os valores praticados.
A situação preocupa o diretor administrativo da unidade, Francisco Sousa, também conhecido como Tita. Segundo o gestor, alguns produtos chegaram a registrar aumentos de até 20% no valor que vinha sendo praticado. “Como todos os produtos aqui vêm de outros estados, quanto mais longe, mais caro por causa do frete. Não é fácil, 20% é muita coisa”, afirmou.
Ainda segundo Francisco, o impacto acaba chegando ao consumidor final, pela necessidade de reajuste nas vendas aos sacolões, feirantes e supermercados. Os recentes rumores de uma possível greve dos caminhoneiros em todo o país também gera preocupação, já que o transporte das mercadorias é majoritariamente realizado pelo modelo rodoviário.
“O aumento do combustível foi muito grande, então por exemplo, para trazer cebola de Santa Catarina, você tem que negociar um valor bem mais alto no frete. O alho, a cenoura e o repolho são outros produtos que também foram impactados pelo preço do frete. Por enquanto estamos esperando as autoridades para ver o que acontece. As negociações estão complicadas e preocupa a possibilidade de falta de mercadoria”, detalhou Francisco.
Um dos principais causadores da crise é o aumento no preço do óleo diesel, principal combustível para caminhões. Os reajustes são associados ao crescente conflito no Oriente Médio, iniciado com as ofensivas de Israel e Estados Unidos contra o Irã. A região tem alto escoamento petrolífero a nível internacional e passa por instabilidades em meio às tensões geopolíticas.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou por meio de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que o preço médio do litro do diesel S10 (menos poluente) subiu em 12% entre a primeira e a segunda semanas de março. Na semana terminada no dia 7, o litro custava R$ 6,15 em média, e passou para R$ 6,89 na semana seguinte.
Diante da situação, no último dia 12, o governo federal anunciou a redução a zero das alíquotas dos dois tributos federais que incidem na comercialização: o PIS e a Cofins. Além disso, houve a oferta de um auxílio de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores do óleo diesel.
Já nesta quarta-feira (18), o governo federal propôs aos estados que zerem a alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre o diesel importado. A sugestão agora é avaliada pelos governos de cada unidade federativa.