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Agosto Laranja: Especialistas alertam que diagnóstico precoce transforma o tratamento da esclerose múltipla

Neurologista Marcone Morreno e a fisioterapeuta Patrícia Cardozo destacam o acompanhamento multidisciplinar no Agosto Laranja

Sintomas sutis e aparentemente isolados, como cansaço sem causa aparente, visão embaçada, formigamentos e instabilidade ao andar, costumam passar despercebidos ou ser confundidos com outras condições de saúde. No entanto, esses sinais podem ser as primeiras manifestações da esclerose múltipla, uma doença neurológica autoimune que atinge o sistema nervoso central e exige atenção logo aos primeiros indícios.

A condição ocorre quando o próprio sistema imunológico ataca a bainha de mielina — a estrutura protetora dos neurônios —, comprometendo a transmissão dos impulsos elétricos no cérebro e na medula. “A esclerose múltipla é uma doença autoimune, né? Então o próprio corpo responde de forma imune atacando os neurônios, mais precisamente o encapamento do neurônio, do nervo, dentro do cérebro, né? E isso faz com que o neurônio, naquela região que foi acometida, não funcione de forma adequada. Dependendo da região acometida, gera sintomas diferentes no organismo do paciente. Por isso que ela é chamada de múltipla: ela tem múltiplas localidades, gerando múltiplas formas de apresentação, o que significaria basicamente múltiplos sintomas diferentes”, explica o neurologista Marcone Morreno.

O papel essencial do acompanhamento multidisciplinar

Embora não tenha cura, a esclerose múltipla conta com recursos terapêuticos avançados que garantem controle da evolução e qualidade de vida. Além dos medicamentos específicos, a fisioterapia surge como um pilar indispensável no acompanhamento contínuo dos pacientes.

Como destaca a fisioterapeuta Patrícia Cardozo, a intervenção profissional precisa ser adaptada ao quadro de cada indivíduo: “A fisioterapia, ela faz parte do tratamento da esclerose múltipla, né? Ela ajuda a diminuir a fadiga dos pacientes, mantém… faz a manutenção da força muscular e faz com que eles tenham uma qualidade de vida melhor. Então, cada fase da doença, ela tem uma indicação de exercício. E quem vai dosar essa quantidade de exercício, a intensidade, é o fisioterapeuta com o tratamento individualizado.”

A atuação fisioterapêutica é planejada de forma personalizada, respeitando o momento da doença e os limites corporais:

  • Controle da fadiga e força: Exercícios direcionados ajudam a reduzir o desgaste físico e preservam o tônus muscular.
  • Equilíbrio e prevenção de acidentes: O treino motor foca na estabilidade da marcha para diminuir sensivelmente o risco de quedas.
  • Suporte em fases avançadas: O plano terapêutico pode incluir condutas respiratórias e motoras intensificadas. “Dependendo da fase da doença que o paciente se encontra, a gente precisa planejar, né, a intensidade do exercício. E o fisioterapeuta, ele faz isso de acordo com o que ele faz: ele avalia o paciente e vai prescrever os exercícios, né? Então, dependendo da fase, existem pacientes que estão numa fase mais avançada, que precisam de uma parte respiratória mais intensificada, ou então uma parte motora mais intensificada, diminuição do risco de queda, melhorar o equilíbrio…”, acrescenta Patrícia Cardozo.

Conscientização como ferramenta de saúde pública

A mobilização do Agosto Laranja busca lançar luz sobre a importância do diagnóstico célere e do acesso ao tratamento integral. No Brasil, a esclerose múltipla atende aos critérios de doença rara estabelecidos pelo Ministério da Saúde, atingindo uma proporção menor do que a média global.

O neurologista Marcone Morreno ressalta o impacto e o propósito central da campanha no país: “A campanha do Agosto Laranja, ela serve pra gente ter a lembrança, né, que essa doença existe. É… se a gente levar em consideração que, para o Ministério da Saúde, uma doença é considerada rara quando afeta cerca de 65 pessoas para cada 100 mil, aqui no Brasil a esclerose múltipla é considerada uma doença rara. No mundo, ela afeta cerca de 100 pessoas para cada 100 mil, 1 para cada 1 mil, então ela não é considerada uma doença rara fora do Brasil, mas dentro do Brasil ela é. Então, quando a gente tem uma doença rara com possibilidades de tratamento, como é o caso da esclerose múltipla, a gente precisa dessas campanhas de conscientização pra lembrar tanto os serviços de saúde quanto as pessoas a procurarem os serviços quando apresentarem sintomas que possam ser da doença. Então, o Agosto Laranja serve pra ajudar a gente a lembrar que a esclerose múltipla é uma doença que existe, por mais que ela seja rara no Brasil, e que possui tratamento adequado, que pode trazer ao paciente qualidade de vida e dignidade.”

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