Espetáculo “Eu Capitu” visa dar voz às mulheres em um mundo narrado por homens.
Espetáculo “Eu Capitu” visa dar voz às mulheres em um mundo narrado por homens.
Entra em cartaz em São Luís a partir desta quinta-feira (21) uma peça teatral que propõe uma releitura do clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis. O espetáculo “Eu Capitu” terá apresentações gratuitas no Teatro Sesc Napoleão Ewerton, localizado na Avenida dos Holandeses.
A obra estreia na capital maranhense em sessão exclusiva voltada para estudantes da rede pública de ensino, às 15h desta quinta. Na sexta (22) a apresentação é aberta ao público e ocorrerá às 20h. O espetáculo se despede de São Luís no sábado (23), às 19h, em sessão acessível com recursos de audiodescrição para pessoas com deficiência visual e Libras para pessoas com deficiência auditiva. Os ingressos podem ser adquiridos por meio da plataforma Sympla.
A turnê de “Eu Capitu” se dá no ano em que a primeira publicação de Dom Casmurro completa 125 anos. A produção vem rodando o país e já passou por Brasília, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte. Depois de São Luís, o espetáculo tem apresentações confirmadas em Rio Branco, Porto Velho, Salvador, Fortaleza e Manaus.
Idealizado pelo produtor Felipe Valle, o espetáculo é uma oportunidade de discutir e alertar para a questão da violência contra a mulher. O enredo conta a história de Ana, uma menina que vivencia o fim do relacionamento abusivo da própria mãe em meio à descoberta da história de Capitu, personagem de Dom Casmurro.
Valle conta que a proposta surgiu depois de presenciar indiretamente um episódio de violência doméstica em que não conseguiu intervir e teve a denúncia recusada pela polícia. O sentimento de impotência o levou a pensar no livro de Machado de Assis e, ao reler a obra, percebeu toda a violência contida naquele clássico e resolveu levá-lo aos palcos pelo olhar feminino: “O convite para direção, escrita e encenação não foi à toa. São as mulheres que vão dar vida a esta história tão atual, eterna, cheia de nuances, simbolismos e de machismos do nosso sempre dia a dia”.
A dupla que dá vida ao projeto é formada por Carla Faour, com o texto, e Miwa Yanagizawa, na direção artística. Em um contexto de aumento nos casos de feminicídio no Maranhão, o espetáculo propõe uma abordagem que equilibra realidade e fantasia. “Logo de início, entendi que não queria uma peça realista. Se o assunto era muito duro e pesado, eu queria falar de uma forma doce e lúdica com a criação de um universo simbólico e metafórico”, conta Carla Faour.
A direção de Miwa Yanagizawa colabora para a criação desse universo e pretende impactar diretamente nas reflexões do público. “Para nós interessa instigar o olhar da plateia, convidá-la a imaginar outras possibilidades narrativas, tomar consciência das coisas se valendo de mais de uma perspectiva. Portanto, juntas, levantamos questionamentos e nos apropriamos deles para desdobrá-los ao invés de buscar soluções definitivas”, explica a diretora.