Jordélia Pereira Barbosa, acusada de ter matado duas crianças com um ovo de Páscoa envenenado em abril de 2025, será julgada no próximo dia 22 de junho. A ré será levada a júri popular após denúncias do Ministério Público do Maranhão (MPMA). Somadas, as penas pelos crimes denunciados podem chegar a 90 anos de prisão.
Segundo o promotor de Justiça Tiago Quintanilha, titular da 8ª Promotoria de Justiça Criminal de Imperatriz, a acusação tem indícios suficientes para categorizar Jordélia como responsável pelas mortes de Evelyn Fernanda e Luiz Fernando, além dos danos causados à mãe deles, Mirian Lira. “O Ministério Público não tem absolutamente nenhuma dúvida da responsabilidade dela e espera que a sociedade, perante o tribunal do júri, dê a resposta adequada ao caso”, comentou o promotor.
Segundo a denúncia protocolada pelo MPMA, cada vítima configura um crime separado. Enquanto as mortes das crianças configuram homicídios, o caso de Mirian Lira é tratado como tentativa de homicídio, visto que ela sobreviveu. Para cada crime, as penas previstas vão, em tese, de 12 a 30 anos de prisão. O promotor também acredita que o julgamento não se encerre logo no dia 22, dada a quantidade de pessoas a serem ouvidas.
Relembre o caso
O caso aconteceu na cidade de Imperatriz e teve grande repercussão. A acusada seria a responsável pelo envio de um ovo de Páscoa para a casa onde Mirian Lira morava com os filhos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda, de 13. A família recebeu o ovo como um presente enviado via mototaxista na noite de 16 de abril do ano passado. A sacola também continha um bilhete que dizia “com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!”

Mãe e filhos comeram o doce e passaram mal durante a madrugada. Os três foram levados ao hospital. Luiz Fernando foi o primeiro a comer a sobremesa e também o primeiro a apresentar os sintomas. O menino morreu ainda na manhã do dia 17. Já a irmã Evelyn Fernanda passou dias internada, mas também não resistiu à intoxicação e morreu no dia 22 de abril.
Mirian Lira chegou a ficar vários dias internada, mas acabou sobrevivendo ao envenenamento. Análises periciais revelaram que o alimento foi envenenado com a utilização de um pesticida altamente tóxico, popularmente conhecido como “chumbinho”.
Jordélia Pereira Barbosa foi presa no dia seguinte à entrega do ovo de Páscoa, após investigações apontarem que ela teria cometido o crime motivada por ciúmes. O ex-companheiro da acusada estava namorando a vítima Mirian Lira à época. Dias depois, a mulher foi transferida de Imperatriz para o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, onde está presa desde então.




