Uma mulher denunciou nas redes sociais ter sido vítima de um golpe durante a compra de um lanche pelo aplicativo iFood, em São Luís. Agny Siqueira relatou que realizou um pedido na loja Nachapa, aparentemente recém-cadastrada na plataforma, mas acabou fazendo uma transferência via Pix diretamente para os supostos vendedores após receber informações falsas sobre um problema na entrega.
Segundo Agny, o pedido foi realizado próximo da meia-noite, quando poucas opções de estabelecimentos estavam disponíveis no aplicativo. Após a compra, a loja entrou em contato pelo próprio chat da plataforma e solicitou que a cliente enviasse sua localização por WhatsApp.
Na conversa, uma suposta funcionária informou que o pneu da motocicleta do entregador havia furado e que a entrega seria realizada por meio de um carro de aplicativo. Em seguida, alegou que precisaria cancelar o pedido no iFood, pois não conseguiria confirmar a entrega pela plataforma, e solicitou um novo pagamento via Pix.
Para convencer a cliente, a pessoa ainda enviou um áudio explicando o suposto procedimento. Agny seguiu as orientações e realizou a transferência.
Após o pagamento, a suposta atendente informou que a corrida já havia sido solicitada. Quando a cliente pediu o link para acompanhar o trajeto, recebeu novas justificativas e, pouco depois, percebeu que poderia ter sido vítima de uma fraude. A partir desse momento, a loja deixou de responder às mensagens.
Agny solicitou ao banco a contestação do Pix e registrou denúncias no Reclame Aqui e no próprio iFood. No entanto, segundo ela, a loja continuava ativa na plataforma, o que poderia expor outros consumidores ao mesmo golpe.
“A gente já achou estranho, e percebemos que havíamos caído num golpe. Inclusive, eu entrei no iFood e até agora a loja está ativa, então qualquer pessoa pode comprar nessa loja e cair num golpe”, alertou Agny Siqueira.
Responsabilidade e orientações
O advogado criminalista Rondinelle Rocha explica que a prática pode configurar crime de estelionato, cuja pena pode chegar a oito anos de prisão, conforme as circunstâncias do caso.
O advogado também aponta possível responsabilidade civil da plataforma, com base no artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, por atuar na intermediação do serviço e ter deveres relacionados à segurança dos consumidores.
Em casos semelhantes, a orientação é guardar capturas de tela das conversas, registrar boletim de ocorrência, solicitar ao banco a contestação da transferência pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix e formalizar denúncias aos órgãos de defesa do consumidor e à plataforma.
“Se aconteceu com você esse tipo de crime, faça um print de tudo, registre o boletim de ocorrência na delegacia mais próxima ou pela delegacia on-line por estelionato, conteste o Pix via MED no Banco Central e denuncie no Procon e no iFood. O iFood nunca pede Pix por fora. Pediu para cancelar e pagar por fora? É golpe, fuja”, orientou o advogado.
O Portal Difusora News solicitou um posicionamento ao iFood sobre a denúncia e a permanência da loja na plataforma. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.

