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Estudo da UFMA aponta que verticalização e ventos explicam contraste na sensação térmica entre o Centro e a Litorânea

Pesquisa monitorou condições meteorológicas por 24 horas e revelou que o Centro registra até oito horas seguidas de calor intenso, contra três horas e meia na orla marítima

O Centro de São Luís apresentou, em média, oito horas consecutivas sob a classificação meteorológica de "muito calor" durante o período analisado.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) analisou as diferenças na sensação térmica e no conforto ambiental registrados entre o Centro Histórico de São Luís e a Avenida Litorânea. O levantamento concluiu que a velocidade e a circulação dos ventos são os fatores determinantes para a variação de calor percebida na capital.

Diferença na circulação dos ventos e horas de calor

Para o monitoramento, os cientistas instalaram estações de medição nas proximidades da Biblioteca Pública Benedito Leite, no Centro, e no Círculo Militar, na Avenida Litorânea, acompanhando parâmetros de temperatura, umidade e ventilação ao longo de ciclos de 24 horas.

Os dados revelaram que a velocidade média dos ventos na Avenida Litorânea atingiu 3,5 m/s, marca sete vezes superior à registrada no Centro da cidade, onde a média ficou em apenas 0,5 m/s. Essa diferença de ventilação permite que o corpo humano perca calor com maior facilidade na faixa praiana.

Em termos de tempo de exposição, o Centro apresentou, em média, oito horas consecutivas sob a classificação meteorológica de “muito calor” durante o período analisado. Já na Avenida Litorânea, o intervalo de desconforto térmico severo durou cerca de três horas e meia.

Impactos na saúde e alerta sobre prédios altos

O coordenador da pesquisa, Juarez Mota, alertou para os riscos que o desconforto térmico elevado traz à população vulnerável no Centro urbano, como crianças, idosos e pessoas com problemas de pressão arterial, além dos períodos de queda brusca na umidade relativa do ar.

O pesquisador apontou ainda que o avanço desordenado de construções verticais pode agravar o quadro microclimático da cidade.

“Os valores de velocidade do vento no Centro estão muito baixos. A nossa hipótese é de que a permissão para prédios cada vez mais altos e próximos uns dos outros, principalmente na faixa litorânea de onde vêm os ventos, barreira a ventilação que ameniza a temperatura do restante da capital. Se isso continuar, causaremos um impacto ambiental severo de desconforto térmico”, enfatizou o professor da UFMA.

Preferência popular e soluções propostas

A diferença de clima é sentida diariamente por moradores que frequentam a orla para a prática de exercícios físicos nos finais de tarde, buscando fugir do abafamento das áreas centrais e densamente construídas.

Como medidas mitigadoras, a pesquisa da UFMA sugere diretrizes para o planejamento urbano de São Luís, incluindo a ampliação da arborização nas vias públicas, a preservação de áreas verdes nativas e a revisão das regras de gabarito imobiliário levando em consideração as rotas dos ventos dominantes.

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