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Rádio Difusora News completa 71 anos e primeira radialista relembra histórias e pioneirismo

Durante entrevista especial no programa Manhã News, Maria Falcão relembrou histórias dos bastidores, o início da carreira e momentos marcantes vividos na emissora.

Foto: Iran França/Difusora

A história da Rádio Difusora News (93.1) se confunde com a trajetória de profissionais que ajudaram a construir o rádio maranhense. Uma dessas personagens é Maria Falcão, reconhecida como a primeira mulher radialista do Maranhão, que participou de uma entrevista especial no programa Manhã News, da Difusora News, nesta quarta-feira (28), véspera dos 71 anos da emissora de rádio, celebrados nesta quinta-feira (29).

Durante a conversa com as apresentadoras Jéssica Almeida e Luciana Ferreira, ela relembrou histórias dos bastidores, o início da carreira e momentos marcantes vividos na emissora. Maria Falcão trabalhou na Rádio Difusora AM entre 1959 e 1980 e ajudou a construir a história da comunicação no estado em uma época em que o ambiente radiofônico era predominantemente masculino.

“Era só eu”, afirmou Maria ao recordar que era a única mulher naquele espaço profissional.

A radialista contou que chegou à emissora após receber um convite de Raimundo Emerson Bacelar, fundador do Grupo Difusora. Na época, ela trabalhava em outra rádio e ficou receosa de mudar de emprego, mas acabou convencida a conhecer a emissora e conversar com o então diretor administrativo, Bernardo Coelho de Almeida.

“Me convidaram, eu, temerosa de sair de onde estava, acomodada, mas eles me aconselharam demais e eu terminei indo lá fazer uma entrevista”, relembrou.

Entre os episódios marcantes da carreira, Maria destacou o encontro com Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Fã do artista desde criança, ela contou que ficou emocionada ao encontrá-lo nos estúdios da televisão, onde ele aguardava para conceder uma entrevista.

“Luiz Gonzaga, você aqui, meu querido! Eu sou sua fã desde criança”, recordou, reproduzindo a reação que teve ao vê-lo. Na ocasião, ela brincou ao chamá-lo de “velho”, e o cantor respondeu: “Mas eu estou vivo!”.

Outra lembrança curiosa foi a repercussão de uma dramatização radiofônica inspirada na obra A Guerra dos Mundos, que simulava a chegada de alienígenas. Como não sabia que a transmissão era encenada, Maria acreditou que a situação era real. “Eu entrei em pânico, corri para a rua, olhei para o céu: ‘Meu Deus, não tem nenhum avião, não foi nada’”, contou.

Assustada com o que ouvia, ela disse que correu para proteger os filhos. A transmissão provocou grande repercussão, e Maria relatou que militares chegaram a comparecer à emissora. Segundo a lembrança compartilhada por ela, a rádio ficou fechada por três dias.

Da operação manual à rotina atual do rádio

Durante a entrevista, Maria também relembrou como funcionava a rotina de trabalho antes dos equipamentos e sistemas digitais. Na época, o operador de som ficava em um espaço separado, e as luzes indicavam quando o microfone estava prestes a ser aberto ou já estava no ar.

A profissional também realizava o monitoramento da programação, registrando manualmente horários, músicas, falas e anúncios publicitários.

Ao comparar sua experiência com as tecnologias atuais, Maria brincou com a própria dificuldade em acompanhar os avanços da informática. “Não sei nada de computação, agora que eu tô aprendendo”, disse, arrancando risadas das apresentadoras.

Mesmo depois de deixar o rádio, Maria Falcão continuou exercendo atividades ligadas à comunicação. Atualmente, participa de celebrações religiosas como salmista em comunidades católicas. “Continuo com o microfone na mão, né?”, afirmou, ao falar sobre sua atuação nas capelas e paróquias em que participa das celebrações.

A radialista também destacou a alegria de acompanhar a trajetória artística da neta, Iuna Falcão, cantora que vive na Bahia e interpreta composições autorais.

A entrevista especial resgatou memórias de uma profissional que marcou a história do rádio maranhense e abriu caminhos para outras mulheres na comunicação. Às vésperas dos 71 anos do Grupo Difusora, a participação de Maria Falcão também reforçou a importância de reconhecer quem ajudou a construir a trajetória da emissora ao longo de mais de sete décadas.

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