Na hora de confirmar o voto na urna eletrônica, o eleitor escolhe quem ficará responsável pela administração do Estado e quem vai representar o Maranhão no Congresso Nacional. Apesar de todos exercerem funções públicas, governador e senador têm atribuições diferentes.
Entender o papel de cada cargo é importante para que o eleitor acompanhe o trabalho dos eleitos e saiba a quem cobrar por cada responsabilidade.
O governador é o chefe do Poder Executivo estadual. A partir do Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, cabe a ele administrar o Estado e executar políticas públicas dentro das competências estaduais.
Entre as áreas que estão diretamente sob responsabilidade do governo estadual estão saúde, educação, infraestrutura e segurança pública. O governador também participa da elaboração e execução do orçamento estadual. O mandato é de quatro anos, com possibilidade de uma reeleição consecutiva.
Já o senador integra o Poder Legislativo e representa o estado no Congresso Nacional, em Brasília. Em 2026, cada eleitor escolherá dois senadores, porque dois terços das cadeiras do Senado serão renovados. Os eleitos terão mandato de oito anos.
Os senadores participam da elaboração e votação de leis, analisam propostas vindas da Câmara dos Deputados e exercem funções específicas, como a aprovação de determinadas autoridades indicadas pelo presidente da República. Também têm a função de fiscalizar atos do Poder Executivo.
A atuação dos parlamentares também alcança o orçamento. Deputados e senadores participam da discussão e votação das principais leis orçamentárias da União e podem apresentar emendas para direcionar recursos para determinadas ações e localidades.
Poder sobre o orçamento
O advogado eleitoral Abdon Marinho destaca que o Congresso Nacional passou a ter uma participação maior na definição da aplicação dos recursos públicos por meio das emendas parlamentares.
“E hoje, por exemplo, o Congresso Nacional possui, através de emendas impositivas, um poder de execução de orçamento até superior ao que tem o próprio Poder Executivo. O orçamento livre que fica para o Poder Executivo executar é bem menor do que possui hoje o Parlamento”, afirmou.
Os dados do Orçamento da União mostram o peso das emendas parlamentares. Para 2026, foram aprovados R$ 26,6 bilhões em emendas individuais impositivas e R$ 11,2 bilhões em emendas de bancada, além de R$ 12,1 bilhões em emendas de comissão.
Isso não significa, porém, que o parlamentar execute diretamente uma obra. A aplicação dos recursos envolve diferentes etapas e pode depender da liberação dos recursos e da execução pelo órgão ou ente responsável.
Para Abdon Marinho, o eleitor precisa acompanhar como os representantes utilizam os recursos públicos.
“A República Federativa do Brasil diz o seguinte: todo o poder emana do povo. É isso que está lá. Então, quem detém o poder originário é o povo. Então, o povo deve saber, principalmente, quem são seus representantes e o que eles, esses representantes, estão fazendo com o seu dinheiro”, afirmou.
Segundo o advogado, acompanhar a aplicação dos recursos é uma forma de exercer o controle sobre os representantes eleitos. “Então, essa é a razão principal. Nós temos pessoas que administram o nosso dinheiro. Então, mais do que nunca, nós temos que saber o que eles estão fazendo com o nosso dinheiro”, completou.
Quem cobrar depois das eleições?
Saber as atribuições de cada cargo ajuda o eleitor a identificar quem é responsável por determinada decisão ou política pública.
Problemas relacionados à administração direta do Estado, como serviços estaduais de saúde, escolas estaduais, rodovias estaduais e segurança pública estadual, estão entre as áreas em que o governo estadual possui atuação direta.
Já senadores e demais parlamentares federais atuam no âmbito da União. Eles legislam, fiscalizam o governo federal e participam das decisões sobre o orçamento federal, inclusive por meio de emendas parlamentares.
Por isso, o processo eleitoral não termina quando o eleitor confirma o voto na urna.
Conhecer os candidatos, suas propostas e suas atribuições é apenas o primeiro passo. Depois da eleição, acompanhar as decisões, projetos, votações, emendas e ações dos representantes também faz parte do exercício da cidadania.
No fim, entender quem faz o quê ajuda o eleitor a acompanhar o poder público e direcionar a cobrança para quem realmente possui competência sobre cada decisão.




