A urna eletrônica completa três décadas de uso no Brasil em 2026. O equipamento foi utilizado pela primeira vez nas eleições de 1996, quando cerca de 30% do eleitorado nacional votou de forma eletrônica.
A informatização tinha como um dos principais objetivos reduzir fraudes relacionadas ao voto em papel. Entre os problemas estavam o preenchimento irregular de cédulas e a manipulação durante a apuração.
Desde então, a urna passou por diversas mudanças. Componentes de hardware, programas e mecanismos de segurança foram atualizados ao longo dos anos para acompanhar as necessidades do processo eleitoral.
A evolução também ocorreu a partir da informatização do cadastro eleitoral, iniciada ainda na década de 1980.
Da UE96 aos modelos atuais
O primeiro modelo utilizado foi a UE96. O equipamento já contava com teclado numérico padronizado, inscrições em braile e uma impressora acoplada para o registro dos votos.
Nas gerações seguintes, as urnas receberam novos processadores, sistemas de armazenamento, telas, baterias e mecanismos criptográficos.
Segundo o TSE, atualmente existem 14 modelos de urnas eletrônicas, com mais de 1,4 milhão de equipamentos produzidos ao longo das três décadas.
O modelo UE2020, por exemplo, passou a ter capacidade de processamento 18 vezes maior que a geração anterior. Também recebeu tela sensível ao toque no terminal do mesário e mecanismos criptográficos certificados.
Biometria chega a 141,3 milhões de eleitores
Outro avanço foi a implantação da identificação biométrica. A tecnologia começou a ser adotada de forma progressiva pela Justiça Eleitoral em 2008.
Nas Eleições de 2026, 141,3 milhões de eleitoras e eleitores estão cadastrados com biometria. O número representa 89,01% do eleitorado apto a votar. Em 2022, a biometria estava cadastrada para 75,51% do eleitorado.
A tecnologia permite confirmar a identidade do eleitor por meio das impressões digitais e também auxilia a Justiça Eleitoral na identificação de possíveis duplicidades no cadastro.
Testes de segurança
Além dos mecanismos incorporados às urnas e aos sistemas eleitorais, a Justiça Eleitoral realiza testes para identificar possíveis vulnerabilidades.
Um dos principais é o Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais, conhecido como Teste da Urna. A iniciativa é realizada desde 2009 e permite a participação de especialistas, instituições acadêmicas e outras entidades na avaliação dos sistemas.
Na edição de 2025, realizada de 1º a 5 de dezembro, foram executados planos de teste para verificar os sistemas que seriam utilizados nas Eleições de 2026.
O TSE informou que os resultados identificaram pontos de melhoria, mas que os achados não comprometeram a integridade, o sigilo do voto ou o resultado das eleições.
Melhorias foram novamente testadas
Em maio de 2026, investigadores retornaram ao TSE para participar do Teste de Confirmação.
A etapa teve como objetivo verificar se as melhorias implementadas após os testes de 2025 haviam solucionado os pontos identificados.
Segundo o TSE, a avaliação confirmou que nenhum dos achados havia comprometido o sigilo ou a integridade do voto.
O Teste Público de Segurança faz parte dos mecanismos de fiscalização e transparência do processo eleitoral. Os sistemas também ficam disponíveis para verificação pelas entidades fiscalizadoras dentro das etapas previstas no calendário eleitoral.
Informação para o eleitor
A Justiça Eleitoral também mantém ferramentas digitais para facilitar o acesso da população a informações sobre as eleições.
Entre elas estão o Fato ou Boato, que reúne informações verificadas sobre o processo eleitoral, e o Glossário Eleitoral, que explica termos relacionados ao Direito Eleitoral e ao funcionamento da Justiça Eleitoral.
Com três décadas de evolução, a urna eletrônica chega às Eleições de 2026 com novas gerações de hardware e software, além de mecanismos de segurança, auditoria e acessibilidade que fazem parte das diferentes etapas do processo de votação.



