O programa Expediente Final, da Rádio Difusora News (93.1 FM), recebeu na noite desta quinta-feira (24) Saulo Arcangeli (PSTU), professor universitário e candidato ao governo do Maranhão. A entrevista faz parte de uma série que vai até a próxima quarta-feira (30). Todos os oito postulantes à chefia do Executivo estadual foram convidados.
No início da sabatina, Saulo Arcangeli foi questionado sobre propostas para combater os problemas relacionados ao saneamento básico e à saúde no Maranhão. O candidato argumenta que seria necessária inicialmente uma revisão orçamentária. Segundo ele, apenas R$ 90 milhões de um total de R$ 38 bilhões do orçamento são destinados ao saneamento básico no estado.
“A gente tem apenas 27% do esgoto coletado. Desses 27%, só 19% são tratados. E aí vai tudo para as nossas bacias hidrográficas. Aqui (São Luís) vai tudo para o Rio das Bicas, vai para o Rio Anil. nossas bacias aqui da região estão todas poluídas”, afirmou.
Para ilustrar a problemática do saneamento, o candidato usou como exemplo o consumo de peixes. De acordo com Saulo, há uma série de estudos que comprovam que, além de coliformes fecais, a fauna aquática está sendo prejudicada pelo acúmulo de metais pesados na água, como chumbo e mercúrio, que contaminam peixes e outros animais a partir da grande frota de navios que passam pelo no litoral no estado.
Ainda sobre a saúde da população, o professor criticou a atualização da Lei de Zoneamento de São Luís, aprovada esta semana pela Câmara Municipal. O candidato entende que as emendas apresentadas pelos vereadores favorecem o ingresso de indústrias em áreas que deveriam ser de preservação ambiental, o que pode agravar a poluição do ar e aumentar os casos de câncer na Grande Ilha.
Defensor da tarifa zero no transporte público urbano e metropolitano, Saulo foi questionado sobre a viabilidade financeira do projeto, caso seja eleito. “Tem que ser gratuito, como a saúde, que o Estado garante a gratuidade. A população do Maranhão é pobre, é a menor renda per capita, então você tem que garantir com recursos federais. Tem uma discussão, inclusive, de que esses valores do Vale Transporte, que é pago pelos empresários, façam parte desse fundo.”
O candidato também mencionou altos índices de trabalho informal no estado, principalmente entre os jovens, e defendeu a criação de estaleiros para a fabricação de ferryboats, para garantir que as pessoas tenham mais mobilidade.
Um dos pontos apresentados no programa de governo de Saulo Arcangeli é a recuperação financeira da CAEMA (Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão). O candidato argumenta que a companhia foi entregue em grande parte ao meio privado, com a contratação de serviços e trabalhadores terceirizados e ausência de concursos públicos.
De acordo com Saulo, a questão está relacionada a um ponto que atinge outros serviços essenciais no estado: a privatização. “Se a gente não mudar o modelo do Maranhão, de entregar a saúde para a iniciativa privada, o lixo para a iniciativa privada, água e esgoto, a gente não vai resolver os problemas do estado do Maranhão”, declarou o candidato.
Já no tópico da segurança pública, Saulo Arcangeli teceu críticas ao modelo atual da Polícia Militar, e defendeu o investimento em inteligência e a desmilitarização das forças de segurança. “O modelo de segurança no país desde a ditadura militar é aquele modelo repressor, nós defendemos, primeiro, a desmilitarização da polícia, como tem em outros países, Japão, Reino Unido, em que a polícia é Civil, é uma polícia única”.
O candidato afirmou que o modelo é prejudicial aos próprios policiais militares, o que colaboraria para alta nos índices de suicídio entre os agentes. Além disso, Saulo argumentou que a lógica militarizada e o aumento na letalidade policial não são efetivos, pois combatem apenas a base do crime, e não o topo.
“A gente tem que ter uma polícia preventiva, investigativa. A gente sabe que é um processo de curto e longo prazo, tem que ter todo um processo. Mas as pessoas acham que a gente tem que ir para a favela, tem que ir para a periferia para matar as pessoas. Esse não pode ser o modelo, porque não adianta. Tu mata um, vem outro. Por isso que a gente tem que fortalecer a Polícia Civil, onde acontecem os processos investigativos”, concluiu o candidato.
Entrevistas no Expediente Final
O Expediente Final vai ao ar de segunda a sexta das 18h às 19h. As entrevistas com os candidatos têm duração de 30 minutos. Além da rádio, o programa é transmitido ao vivo no canal oficial da Difusora no YouTube (@DifusoraTV).
O convidado do programa desta sexta-feira (25) é o candidato Felipe Camarão (PT). Estão marcadas ainda entrevistas para a próxima semana com os candidatos Roberto Rocha (PRTB) André Luís (Missão) e Eduardo Braide (PSD).






