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Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu celebra saberes e preservação dos territórios

Foto: Tarcísio Brandão/Portal Difusora News

O Maranhão celebra nesta quinta-feira (24) o Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, uma tradição que atravessa gerações e está diretamente ligada à cultura, à geração de renda e à preservação dos babaçuais no estado.

Instituída no Maranhão pela Lei Estadual nº 9.428/2011, a data ganha um significado especial neste ano após o reconhecimento, em âmbito nacional, do ofício das quebradeiras de coco babaçu como manifestação cultural brasileira. A medida foi estabelecida pela Lei nº 15.431, de 10 de junho de 2025, abrangendo Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará.

Tradição que gera renda

No Maranhão, o trabalho das quebradeiras envolve a coleta, a quebra e o beneficiamento do coco babaçu. O fruto pode ser utilizado na produção de óleo, alimentos, farinha, sabão, carvão, artesanato e outros produtos.

Além de representar uma fonte de renda para comunidades agroextrativistas, a atividade mantém conhecimentos transmitidos entre gerações e está relacionada à preservação dos babaçuais.

Um exemplo dessa transformação está no Quilombo Boa Vista, em Rosário, na Região Metropolitana de São Luís, onde um grupo de mulheres encontrou no babaçu uma forma de fortalecer a autonomia financeira da comunidade.

A história começou quando sete mulheres quilombolas decidiram se organizar para ampliar a participação feminina na economia da comunidade. Liderado pela moradora Rosa Gaspar, o grupo criou o Sabor & Arte, iniciativa que passou a transformar o coco babaçu em produtos como bolos, doces, cocadas e outros derivados.

Segundo Rosa, a mobilização surgiu a partir da percepção de que os homens tinham maior participação em programas de comercialização, enquanto as mulheres permaneciam principalmente nas atividades da roça e nos cuidados domésticos.

“Eu via que as mulheres não ganhavam nada, não tinham dinheiro e todas viviam com ansiedade, sem fazer algo que elas queriam”, relatou.

O projeto começou de forma simples, com bandejas emprestadas, mas foi crescendo ao longo dos anos. Atualmente, o grupo trabalha com mais de 12 produtos derivados do coco babaçu.

Para Rosa, o trabalho trouxe não apenas geração de renda, mas também mudanças na qualidade de vida das integrantes. “Até a nossa qualidade de vida melhorou através do nosso trabalho que nós começamos”, afirmou.

A experiência de Boa Vista mostra como o babaçu ultrapassa a condição de matéria-prima e se transforma em instrumento de organização comunitária, geração de renda e autonomia para mulheres quilombolas.

Reconhecimento nacional

O reconhecimento do ofício como manifestação cultural nacional amplia a visibilidade dos saberes, práticas e formas tradicionais de trabalho das quebradeiras de coco.

No Maranhão, essa atividade está ligada à identidade de comunidades rurais e quilombolas e à relação dessas populações com os territórios onde vivem e trabalham. O estado é o maior produtor de coco babaçu do Brasil, de acordo com o IBGE. Em 2023, o estado movimentou R$59.411 em relação ao produto, seguido do Piauí com R$7.599 e Tocantins com R$1.406.

Nativo do Brasil, o babaçu pode alcançar 20 metros de altura e produzir cachos com até 720 frutos. A floração ocorre principalmente entre janeiro e abril, enquanto a frutificação acontece de agosto a dezembro, quando os cocos maduros caem naturalmente no solo.

A palmeira começa a produzir entre 10 e 12 anos, alcança a maturidade produtiva entre 15 e 20 anos e tem vida média de aproximadamente 35 anos.

No Maranhão, o babaçu está presente na paisagem, na economia e na cultura de comunidades tradicionais. Para as quebradeiras, preservar os babaçuais também significa preservar uma forma de trabalho, uma fonte de renda e uma história que atravessa gerações.

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