O Maranhão registrou mais de 140 mil doações de sangue em 2025. Mesmo com esse número, manter os estoques em níveis seguros continua sendo um desafio para a hemorrede estadual.
A média diária de doadores varia entre 150 e 180 pessoas. O número considerado necessário para manter o abastecimento com segurança é de 200 a 250 doadores por dia. Até abril deste ano, foram contabilizadas 45.258 doações no estado.
Para incentivar novas doações, o Centro Universitário Estácio São Luís realiza nesta quarta-feira (23) uma campanha de coleta de sangue. A ação acontece das 8h às 17h, no Bloco B da Unidade Centro.
A iniciativa faz parte do Trote Solidário e tem a doação de sangue como tema. A coleta será realizada em parceria com o HAIMA (Instituto de Hemoterapia e Hematologia do Maranhão).
Campanha busca estimular doações regulares
A necessidade de doadores não aparece apenas quando os estoques estão baixos. O sangue e seus componentes são utilizados diariamente em cirurgias, tratamentos, emergências e outros atendimentos de saúde.
Além disso, cada componente do sangue possui um prazo específico de validade. Por isso, novas doações precisam ser realizadas regularmente.
“Sangue e hemocomponentes são utilizados continuamente em cirurgias, tratamentos, atendimentos de emergência e outras situações. Isso exige que novas doações aconteçam regularmente para manter o abastecimento dos serviços de saúde”, explica a professora Elizângela Motta, do curso de Farmácia.
A iniciativa também envolve outras instituições de ensino superior. As ações de doação estão sendo realizadas durante os meses de agosto, setembro e outubro.
Para Vitor Pinheiro, fundador do Hemocione, aproximar os pontos de coleta das universidades pode ajudar a criar o hábito da doação entre estudantes e professores.
“O mais importante desta parceria não é o número de bolsas coletadas, mas sim o hábito que as instituições de ensino fomentam em seus alunos e professores de doarem sangue recorrentemente”, afirma.
Segundo ele, a campanha também busca estimular a chamada doação espontânea, quando a pessoa doa sem saber quem receberá o sangue.
Formação cidadã
A campanha também faz parte de uma proposta de formação que vai além do conteúdo acadêmico.
A presidente de um grupo educacional, Cláudia Romano, destaca que a iniciativa busca incentivar a participação dos universitários em ações de responsabilidade social. “Temos o objetivo de promover uma formação cidadã, incentivando a participação de estudantes universitários em ações de responsabilidade social”, afirma.
Para Elizângela Motta, o Trote Solidário proporciona aos novos alunos uma experiência de participação social logo no início da vida acadêmica. “É um primeiro contato do estudante com uma formação que vai além da sala de aula”, explica.
Para os estudantes dos cursos da área da saúde, a experiência também reforça temas como acolhimento, ética, promoção da saúde e cuidado humanizado.
A professora de Enfermagem Josiani Nunes afirma que a participação em campanhas ajuda os futuros profissionais a conhecerem de perto necessidades do sistema de saúde.
“É fundamental que o estudante desenvolva uma visão humanizada e compreenda seu papel na sociedade”, destaca.
Quem pode doar?
Quem nunca doou sangue pode participar da campanha. Antes da coleta, os interessados passarão por uma triagem e avaliação individual realizada por profissionais do HAIMA.
A orientação é chegar ao local alimentado, hidratado e descansado. Também é necessário apresentar um documento oficial com foto e informar corretamente as condições de saúde e os medicamentos utilizados.
De acordo com os critérios divulgados pelo Ministério da Saúde, podem se candidatar à doação pessoas a partir dos 16 anos, com pelo menos 50 quilos e em boas condições de saúde. Menores de 18 anos precisam de autorização do responsável.
Também é recomendado ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e não estar em jejum.
A triagem é necessária porque algumas condições de saúde, medicamentos e situações específicas podem impedir temporária ou definitivamente a doação.
Para quem pode doar regularmente, o intervalo mínimo é de dois meses para homens, com até quatro doações por ano, e de três meses para mulheres, com até três doações anuais.
“A doação é realizada de forma segura e acompanhada por uma equipe capacitada. A gente busca acolher o doador e mostrar que esse pequeno gesto pode causar um impacto muito significativo na vida de outras pessoas”, conclui Elizângela.




