Os efeitos do El Niño sobre as chuvas não ocorrem de maneira uniforme no Maranhão. As condições climáticas podem variar de acordo com a região do estado e com a atuação de outros fenômenos, principalmente as temperaturas dos oceanos Pacífico e Atlântico. De acordo com Gunter de Azevedo Reschke, meteorologista do Laboratório de Meteorologia (LABMET) do Núcleo de Geoprocessamento (NUGEO) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), o Centro-Sul maranhense está entre as áreas mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.
Segundo o especialista, quando o El Niño atua de forma isolada, a formação de nuvens pode ser prejudicada na região, provocando uma redução significativa no volume de chuvas esperado para o período.
O meteorologista pontua ainda que a influência do Oceano Atlântico também é fundamental para determinar o comportamento das chuvas no estado. Ele explica que dois grandes sistemas oceânicos precisam ser considerados na análise climática.
“Nós temos dois sistemas de grande escala: El Niño e La Niña no Pacífico e o dipolo do Atlântico, para ser favorável ou desfavorável para as chuvas no estado. Para o dipolo do Atlântico ser favorável às chuvas no Maranhão, a temperatura da superfície do mar do Atlântico Sul tem que estar mais quente que a do Norte”, explica Gunter.
No Norte do Maranhão, portanto, os efeitos do El Niño dependem também da configuração do Atlântico. Quando as águas do Atlântico Sul estão mais quentes que as do Atlântico Norte, as chuvas tendem a permanecer próximas da média.
Por outro lado, quando o Atlântico Norte apresenta temperaturas mais elevadas que o Sul, ocorre uma combinação dos efeitos do Dipolo do Atlântico com o El Niño. Nesse cenário, a tendência é de redução das chuvas também na região Norte do estado.
A influência conjunta desses fenômenos mostra que os impactos do El Niño precisam ser analisados de forma regionalizada. No Maranhão, a combinação entre as condições do Pacífico e do Atlântico pode determinar diferentes cenários de chuva entre o Norte e o Centro-Sul do estado.




