O preço da cesta básica subiu 0,30% em São Luís em julho, na contramão do que aconteceu na maior parte do país. A capital maranhense foi a única entre as 27 cidades pesquisadas pela Conab e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) a registrar aumento no custo dos alimentos básicos no mês.
Em São Luís, a cesta passou a custar R$ 656,69. Apesar da alta mensal, o valor acumulou queda de 1,18% nos últimos 12 meses. Desde o início de 2026, porém, o custo já subiu 4,33%.

No cenário nacional, a cesta ficou mais barata em 26 capitais. As maiores quedas foram registradas em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%), Belo Horizonte (-7,44%), Palmas (-7,38%) e Rio de Janeiro (-7,12%).
São Paulo teve a cesta mais cara do país, com valor de R$ 915,01. Já entre as capitais do Norte e Nordeste, Aracaju apresentou o menor custo, de R$ 594,07.
Preços que subiram em São Luís
O aumento da cesta em São Luís foi influenciado principalmente pela alta de nove dos 12 produtos pesquisados.
Entre junho e julho, a farinha de mandioca teve a maior alta, de 5,29%. Também ficaram mais caros o arroz agulhinha, que subiu 2,06%, a banana, com aumento de 1,63%, e a manteiga, que ficou 1,42% mais cara.
O feijão carioca subiu 1,03%, enquanto o açúcar cristal teve alta de 0,55%. O pão francês aumentou 0,42%, o óleo de soja, 0,41%, e o tomate, 0,28%.
Na outra ponta, três produtos ficaram mais baratos. O café em pó caiu 2,42%, a carne bovina de primeira recuou 0,97% e o leite integral teve redução de 0,66%.
O comportamento do tomate chama atenção. Enquanto São Luís registrou alta de 0,28%, o preço caiu nas outras 26 capitais pesquisadas. A redução nacional está relacionada principalmente ao aumento da oferta do produto.
Alimentos acumulam altas no ano
Apesar da queda de alguns produtos em julho, a maior parte dos itens da cesta ficou mais cara em São Luís no acumulado de 2026.
O leite integral teve a maior alta no período, de 15,55%. Em seguida aparecem o óleo de soja, com aumento de 13,34%, e o feijão carioca, que subiu 12,87%.
Também ficaram mais caros o arroz agulhinha (8,78%), a banana (7,69%), o café em pó (5,31%), a farinha de mandioca (4,29%), o pão francês (3,95%), o tomate (2,54%), a carne bovina de primeira (1,84%) e o açúcar cristal (0,27%).
A manteiga foi o único produto da lista a apresentar queda no acumulado do ano, de 1,36%.
Cesta pesa quase metade da renda
Em julho, o trabalhador de São Luís que recebe o salário mínimo de R$ 1.621 precisou trabalhar 89 horas e 8 minutos para comprar os produtos da cesta básica. Em junho, eram necessárias 88 horas e 52 minutos.
Considerando o salário mínimo líquido, após o desconto de 7,5% para a Previdência Social, a cesta comprometeu 43,80% da renda do trabalhador em julho. Em junho, o percentual era de 43,67%.
Mesmo com a alta registrada na capital maranhense, o tempo necessário para comprar a cesta caiu em relação a julho de 2025. Naquele período, eram necessárias 96 horas e 19 minutos de trabalho.
Inflação desacelera no Brasil
Os dados da cesta básica acompanham um cenário de desaceleração da inflação no país. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial, ficou em 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% registrados em junho.
No acumulado de 2026, o IPCA chegou a 3,44%. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, também abaixo dos 4,64% registrados no período anterior.
A alimentação ajudou a segurar o índice nacional. O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,67% em julho, principalmente por causa da queda nos preços de produtos como tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído.
O tomate teve a maior queda entre os itens do grupo, de 29,09%. A batata-inglesa recuou 19,59% e a cenoura caiu 14,41%.
Apesar da queda dos alimentos dentro de casa, comer fora ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio subiu 0,55% em julho, após alta de 0,15% em junho.
Energia elétrica pressionou a inflação
No Brasil, o grupo Habitação teve alta de 0,99% em julho. O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,09%.
O aumento ocorreu em um cenário de bandeira tarifária amarela, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
Já o grupo Transportes teve alta de apenas 0,05%. As passagens aéreas subiram 11,67%, mas o resultado foi compensado pela queda nos combustíveis. O etanol caiu 2,26%, a gasolina recuou 1,37%, o diesel teve redução de 1,22% e o gás veicular caiu 0,08%.
O cenário mostra que, embora a inflação geral tenha desacelerado no país e a cesta tenha ficado mais barata na maioria das capitais, São Luís teve um comportamento diferente em julho. Na capital maranhense, a alta de produtos como farinha de mandioca, arroz, banana e manteiga pressionou o custo dos alimentos básicos.






