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“É um mudança estrutural”, diz superintendente do IBGE sobre queda do desemprego no Maranhão

Foto: Esdras Anjos

O desempenho histórico do mercado de trabalho no Maranhão não é um fenômeno passageiro. Essa é a avaliação do superintendente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no estado, Marcelo Melo, que afirma que a redução do desemprego reflete uma transformação estrutural impulsionada pelo aumento da qualificação da mão de obra e pela maior produtividade dos trabalhadores maranhenses.

Em entrevista ao Jornal da Difusora 2ª edição, Marcelo Melo afirmou que o cenário observado nos últimos anos indica uma tendência consistente de fortalecimento do mercado de trabalho no estado.

“Já é uma questão estrutural. O Estado está se capacitando mais, as pessoas economicamente ativas estão procurando se qualificar, estão sendo mais produtivas de fato para os empregadores. A gente acredita que é um fenômeno que veio para ficar”, destacou.

O Maranhão registrou, pelo segundo ano consecutivo, a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), do IBGE. Em 2025, a taxa de desocupação ficou em 6,8%, abaixo dos 7,2% registrados em 2024, estabelecendo dois recordes consecutivos desde o início da série, em 2012.

Segundo Marcelo Melo, o resultado é reflexo, principalmente, do crescimento da indústria e do comércio tradicional, setores que lideraram a geração de empregos e contribuíram para o aumento histórico da massa de rendimentos dos trabalhadores maranhenses.

Apesar do avanço, o superintendente alertou que o estado ainda enfrenta um desafio importante: a informalidade. Atualmente, o Maranhão possui a maior taxa de informalidade do Brasil, com cerca de 58% da população ocupada trabalhando sem vínculo formal, enquanto mais de 60% dos trabalhadores não contribuem para a Previdência Social.

Para ele, políticas públicas voltadas à formalização do trabalho, ao incentivo ao Microempreendedor Individual (MEI) e ao fortalecimento das cadeias produtivas são fundamentais para consolidar o crescimento do mercado de trabalho.

Marcelo Melo também ressaltou que a qualificação profissional tem evoluído e já produz impactos positivos na produtividade e na renda dos trabalhadores formais. Segundo ele, a baixa qualificação permanece concentrada principalmente entre aqueles que atuam na informalidade.

“A capacitação da nossa mão de obra tem melhorado, e isso tem sido refletido na massa de rendimentos. O trabalhador que já é formal está sendo mais qualificado, tem maior produtividade, e isso está sendo refletido nos dados. Agora, quem tem baixa qualificação é justamente essas pessoas que estão no setor informal, na maioria absoluta dos casos”, pontuou.

Outro segmento destacado foi a construção civil. De acordo com o superintendente, o setor foi o segundo mais dinâmico da economia maranhense em 2025 e segue gerando empregos, mas agora exige profissionais mais qualificados para acompanhar a modernização e a adoção de novas tecnologias.

Na comparação regional, o Maranhão ocupa posição de destaque. O estado possui atualmente a segunda menor taxa de desemprego do Nordeste, atrás apenas da Paraíba. Marcelo Melo lembrou ainda que, desde 2018, o Maranhão mantém índices de desocupação inferiores à média da região.

Durante a entrevista, o superintendente também destacou a importância dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, para movimentar a economia maranhense. No entanto, afirmou que a transformação definitiva do mercado de trabalho depende de investimentos contínuos na educação básica, no ensino médio e no acesso ao ensino superior, permitindo que mais pessoas ingressem em empregos formais e de maior qualificação.

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