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Maranhão registrou 967 casos de AIDS em 2025; primeiro semestre de 2026 já soma 355 casos

São Luís lidera os registros no estado; no cenário nacional, Fiocruz conclui tecnologia para produzir principal remédio contra o HIV

Porto Alegre, RS - 21/12/2017 SMS, através da IST/Aids, acompanha a ação da US Santa Marta de testagem rápida junto a profissionais do sexo. Local: Drive In. Rua Leopoldo Froes Foto: Cristine Rochol/PMPA

Foto: Divulgação

Mais de 960 pessoas foram diagnosticadas com AIDS no Maranhão, em 2025. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES) mostram que no ano passado foram registrados cerca de 967 casos da doença no estado. Desse total, 426 ocorreram em São Luís, 156 em Imperatriz, 40 em São José de Ribamar, 37 em Bacabal, 37 em Balsas, 29 em Timon, 26 em Codó, 19 em Caxias, cinco em Açailândia e cinco em Paço do Lumiar.

Ainda conforme o levantamento da SES, em 2026, até o momento, já foram contabilizados 355 casos de AIDS no Maranhão. São Luís lidera os registros, com 113 casos, seguida por São José de Ribamar (51), Imperatriz (34), Paço do Lumiar (12), Caxias (6), Açailândia (4), Bacabal (3), Balsas (2), enquanto Codó e Timon não registraram casos no período informado. Em relação aos óbitos, foram registrados 336 em 2025 e 151 em 2026.

A SES informou que mantém ações permanentes de prevenção, diagnóstico e tratamento do HIV e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), por meio da estratégia de prevenção combinada.

Entre os serviços oferecidos estão a distribuição de preservativos internos e externos, autotestes para HIV, Profilaxia Pós-Exposição (PEP), Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, além da terapia antirretroviral (TARV), ações de prevenção da transmissão vertical do HIV e apoio técnico aos municípios para fortalecer a assistência à população maranhense.

Remédio nacional

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu a transferência de tecnologia para a produção nacional do dolutegravir, principal medicamento utilizado no tratamento do HIV no Brasil e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, mais de 770 mil pessoas vivendo com HIV utilizam o antirretroviral no país.

O medicamento foi desenvolvido pela farmacêutica ViiV Healthcare, pertencente à biofarmacêutica GSK. Em 2020, a empresa firmou um acordo com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) para nacionalizar gradualmente a fabricação do remédio. Com a conclusão do processo, o início do fornecimento da produção nacional ao SUS depende apenas da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Desde a assinatura do acordo, Farmanguinhos investiu na adaptação da fábrica, aquisição de equipamentos, capacitação de profissionais e adequações técnicas, regulatórias e operacionais para internalizar toda a produção. Três lotes do medicamento já foram fabricados e validados e poderão ser distribuídos à rede pública após a liberação da Anvisa.

Desde 2022, o instituto já realiza a distribuição ao SUS de cápsulas produzidas em fábricas da GSK, somando mais de 739 milhões de unidades fornecidas. Em 2025, Farmanguinhos também passou a ser responsável pelas análises laboratoriais de controle de qualidade do medicamento.

A parceria prevê ainda uma nova etapa: a produção nacional do dolutegravir em combinação com a lamivudina, outro antirretroviral amplamente utilizado no tratamento do HIV e também oferecido gratuitamente pelo SUS. A expectativa é que essa fabricação tenha início no próximo ano.

Medicamento é recomendado pela OMS

O dolutegravir é considerado um dos principais medicamentos para o tratamento do HIV em todo o mundo. O antirretroviral age bloqueando a enzima integrase, impedindo a replicação do vírus nas células de defesa do organismo. Além de reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, o medicamento fortalece o sistema imunológico, evita a progressão para a AIDS e apresenta poucos efeitos colaterais.

Desde 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o dolutegravir como tratamento preferencial de primeira e segunda linha para todas as populações, incluindo gestantes e pessoas com potencial para engravidar.

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