O Maranhão tem aproximadamente 542 mil pessoas cadastradas com Diabetes Mellitus, segundo dados do Sistema de Informação para Atenção Primária em Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde (SES), referentes ao período de janeiro a maio de 2026.
Com base na estimativa da Sociedade Brasileira de Diabetes de que cerca de 9% dos casos correspondem ao Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1), cerca de 48,9 mil maranhenses convivem com essa condição.
Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca e destrói as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina, resultando no aumento da glicose no sangue e sintomas, como boca seca, sede constante e vontade de urinar frequentemente.
A diabetes do tipo 1 está normalmente relacionada com fatores genéticos e autoimunes, que resultam na pouca ou nenhuma produção de insulina pelo pâncreas fazendo com que o organismo não seja capaz de utilizar o açúcar no sangue, permanecendo na corrente sanguínea.
Substituição de insulina por glargina
O Ministério da Saúde iniciou a transição gradual da insulina NPH para a insulina glargina no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida representa um avanço no tratamento oferecido pela rede pública, com a disponibilização de um medicamento de ação prolongada que promete mais segurança, melhor controle da glicemia e maior adesão ao tratamento.
O impacto da doença no estado reforça a importância da iniciativa. Em 2025, o diabetes foi responsável por 4.153 internações de pessoas com 18 anos ou mais no Maranhão, conforme dados da plataforma Monitora, da SES. A expectativa é que a adoção de terapias mais modernas contribua para reduzir complicações graves e, consequentemente, o número de hospitalizações.
A insulina glargina se destaca por sua ação prolongada, permitindo, na maioria dos casos, apenas uma aplicação diária, ao contrário de esquemas tradicionais que podem exigir até três aplicações no mesmo período. Além da praticidade, o medicamento proporciona maior estabilidade dos níveis de glicose no sangue e reduz significativamente o risco de episódios de hipoglicemia.
A modernização do tratamento faz parte de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que possibilita a produção nacional da insulina e fortalece o abastecimento do SUS a longo prazo.
Nesta primeira etapa, a substituição será destinada a um público específico: pacientes de 2 a 18 anos incompletos com diabetes tipo 1 e idosos com 70 anos ou mais diagnosticados com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
Distribuição e acesso
O Ministério da Saúde já distribuiu mais de 254 mil tubetes de insulina glargina para 16 estados, além de 52.350 canetas reutilizáveis para aplicação. O cronograma prevê que todas as unidades da federação recebam os estoques até o fim de julho.
Para ter acesso ao novo medicamento, o paciente deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima com uma receita médica válida e devidamente carimbada. Pais, responsáveis legais ou cuidadores dos pacientes elegíveis também podem solicitar a substituição.
Após a solicitação, o paciente será atendido por uma equipe multiprofissional da Atenção Primária, que avaliará o quadro clínico e orientará sobre a transição para o novo tratamento. O SUS também fornecerá gratuitamente as agulhas e uma caneta reutilizável para aplicação da insulina, com validade de três anos.




