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SL: professores relatam agressões em escolas por falta de apoio especializado

São Luís tem 3,6 mil alunos com deficiência e apenas 119 cuidadores

Foto: reprodução/TV Difusora

A falta de profissionais de apoio na rede municipal de São Luís tem gerado dificuldades para professores e alunos da educação especial. Educadores relatam problemas para acompanhar estudantes com necessidades específicas e apontam impactos na segurança e no trabalho em sala de aula.

A professora Adriana Costa afirmou que o número de alunos com necessidades especiais aumentou nos últimos anos. “Antigamente, há uns quatro ou cinco anos, nós tínhamos uma demanda de um ou dois alunos. Hoje temos três, quatro, cinco alunos neuroatípicos em todas as salas”, disse.

Segundo ela, muitas crianças não recebem acompanhamento especializado fora da escola. “Elas acabam não tendo acompanhamento de psicólogos e terapeutas. Muitas vezes se desregulam dentro da sala, e os professores não conseguem conter”, relatou.

Uma reportagem da TV Difusora mostrou casos registrados em escolas da capital. Em uma das unidades, um professor foi atingido por uma telha durante um episódio envolvendo um aluno de 11 anos diagnosticado com transtorno do espectro autista.

O educador, que preferiu não se identificar, contou que o estudante entrou em desregulação durante uma confusão no ambiente escolar. “Ele pegou uma telha e tentou atingir uma professora. Eu coloquei o ombro para protegê-la. Depois ele tentou atingir minha cabeça e eu me protegi novamente”, afirmou.

Em outra escola, uma professora relatou ter sido agredida após retirar uma tesoura das mãos de um aluno de sete anos. Segundo ela, o estudante tentou golpeá-la diversas vezes. “Eu fui me afastando e me abriguei na secretaria da escola. Ele ficou chutando a porta e tentando entrar”, contou.

Especialistas afirmam que situações como essas precisam ser analisadas dentro de um contexto mais amplo. A fundadora da Associação dos Amigos da Pessoa Autista, Telma Sá, explicou que episódios de desregulação podem ocorrer por vários fatores.

“O aluno pode ter chegado cansado, pode ter ocorrido alguma intercorrência em casa ou no caminho para a escola. Em momentos de desregulação, ele pode acabar se comunicando de forma inadequada e até agredindo pessoas”, afirmou.

Muita demanda, poucos profissionais

Dados do censo de 2024 da rede municipal mostram que São Luís possui 3.649 alunos com deficiência. Desse total, 58,4% são estudantes com transtorno do espectro autista e 37,4% possuem deficiência intelectual.

Para atender essa demanda, a rede conta com cerca de 119 cuidadores e 150 profissionais especializados. O Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Pública Municipal de São Luís afirma que o número é insuficiente.

A diretora do sindicato, Ana Paula Martins, disse que há déficit de profissionais nas escolas. “Nós temos apenas 119 cuidadores para 262 escolas. Precisaríamos de mais de um cuidador por unidade. O déficit é superior a 100%”, afirmou.

Ela também defendeu a criação de cargos específicos para atendimento individual em sala de aula. “As crianças que precisam desse suporte precisam ser atendidas com qualidade para que possam se desenvolver”, destacou.

A educação inclusiva é garantida pela Lei Brasileira de Inclusão, que prevê acesso, permanência e condições adequadas de aprendizagem. Professores e especialistas, no entanto, afirmam que a estrutura atual ainda não consegue atender toda a demanda da rede municipal.

Posicionamento da Prefeitura

A Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), informou que tem avançado de forma contínua no fortalecimento da educação especial inclusiva na rede municipal.

Nos últimos anos, foram ampliadas as condições de acessibilidade nas escolas, com investimentos em rampas, banheiros adaptados e sinalização tátil e visual. Também houve expansão das Salas de Atendimento Educacional Especializado (AEE), que passaram de 79 para 146 unidades, além do aumento do quadro de professores especialistas, que hoje soma mais de 400 profissionais.

A rede conta ainda com estratégias específicas para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), como o PROJETEA, que adota a metodologia do ensino colaborativo e já atende mais de 700 estudantes.

Em relação aos episódios envolvendo estudantes com autismo, a Semed esclarece que situações de desregulação podem ocorrer dentro do espectro e exigem acompanhamento individualizado, com atuação integrada entre escola, família e profissionais de saúde, sempre com foco no acolhimento e na segurança de toda a comunidade escolar.

Sobre os profissionais de apoio, a rede dispõe atualmente de cerca de 350 profissionais que auxiliam os estudantes nas atividades da vida diária e no ambiente escolar. Para ampliar esse atendimento, está em andamento o Edital nº 01/2026, que prevê a contratação de mais de 200 novos profissionais.

A Semed reforça que segue investindo na ampliação de estrutura, equipes e estratégias pedagógicas para garantir uma educação inclusiva, com qualidade e segurança para todos.

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