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Jornalista maranhense é alvo de tentativa de golpe por criminoso que se passava por promotor de Justiça

Uma jornalista maranhense, que preferiu não se identificar, foi vítima de uma tentativa de golpe na última segunda-feira (3), enquanto estava trabalhando. A abordagem, inicialmente por mensagem de WhatsApp, partiu de alguém que se identificava como promotor de Justiça — identidade posteriormente usada para uma série de intimidações e ameaças com o objetivo de extorquir dinheiro da vítima.

Segundo a profissional, tudo começou quando ela recebeu um contato de um suposto promotor interessado em falar com ela. Por estar em um grupo de jornalistas que incluía profissionais do Ministério Público, a mensagem não despertou desconfiança imediata. Ao responder, no entanto, ela passou a ser pressionada pelo criminoso, que iniciou uma ligação telefônica marcada por intimidações.

O golpista afirmou que a vítima estaria utilizando um celular roubado e que isso configuraria crime, além de acusá-la de desrespeitar uma autoridade. A partir daí, as ameaças se intensificaram.

“Ele dizia que eu seria presa, que não poderia ir à delegacia sem estar algemada e que iriam me buscar no trabalho. Afirmou também que a conversa estava sendo gravada”, relatou a jornalista.

Segundo ela, mesmo se colocando à disposição para comparecer ao fórum ou à delegacia, os criminosos insistiam que ela seria conduzida por uma viatura, algemada, e faziam menções humilhantes ao suposto tratamento que receberia durante o trajeto.

A situação escalou quando os golpistas começaram a insinuar a possibilidade de um “acordo” com uma juíza. Uma voz feminina entrou na ligação e afirmou que o valor seria de R$ 5 mil. Ela respondeu que pagaria apenas presencialmente, mas o falso promotor exigiu pagamento via Pix. A exigência dos criminosos deixou evidente que se tratava de uma tentativa de extorsão.

Assustada, a jornalista afirmou que o episódio a deixou profundamente nervosa. “Ficamos tão tensos que quase perdemos a noção do que poderia ser verdade ou mentira, mesmo eu tendo todas as notas fiscais e comprovantes do meu celular, comprado de uma fonte confiável”, lembra.

A jornalista registrou boletim de ocorrência no Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC).

Falso promotor

A foto usada no perfil do WhatsApp do golpista era a imagem do promotor de Justiça Felipe Augusto Rotondo, atualmente responsável pela Promotoria de Justiça de Buriticupu, Bom Jesus das Selvas e Arame. Não é a primeira vez que criminosos utilizam a foto do magistrado para aplicar golpes. Em novembro, o próprio promotor relatou outros casos semelhantes.

No relato, o magistrado informa nenhumprocedimento judicial ou investigação é conduzido por aplicativos de mensagens e que cobranças ou acordos extrajudiciais jamais são solicitados por telefone.

“Nunca enviamos intimações, cobranças ou avisos oficiais por WhatsApp. Para isso, utilizamos canais formais e seguros. Se receber algo parecido, bloqueie, denuncie e avise outras pessoas”, alerta o promotor.

As autoridades recomendam ainda que vítimas desse tipo de abordagem registrem boletim de ocorrência e encaminhem provas às polícias competentes para investigação.

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