O crescimento das apostas esportivas on-line no Brasil já impacta diretamente o bolso dos consumidores e o desempenho do comércio. Um estudo divulgado nesta terça-feira (28) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que o varejo deixou de faturar cerca de R$ 143 bilhões nos últimos dois anos devido ao aumento dos gastos das famílias com as “bets”.
Segundo o levantamento, os brasileiros destinaram aproximadamente R$ 240 bilhões às plataformas de apostas em 2025. Parte desse dinheiro, que antes seria usada em compras e serviços, passou a ser direcionada aos jogos, reduzindo o consumo no comércio.
Além do impacto econômico, o estudo aponta consequências diretas para a população. Dados da Gerência Executiva de Análise e Desenvolvimento Econômico (Geade), da CNC, indicam ainda que o uso excessivo dessas plataformas levou cerca de 268 mil famílias à inadimplência severa, além de aumentar o tempo médio de endividamento.
Na avaliação do presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o avanço das apostas já tem efeito amplo na economia. “As apostas on-line estão comprometendo a renda das famílias brasileiras. O impacto deixou de ser pontual e se tornou macroeconômico. Precisamos discutir com seriedade os limites desse mercado, especialmente no que diz respeito à publicidade e à proteção das famílias”, afirmou.
A CNC também aponta falhas na regulamentação como fator que contribuiu para o crescimento acelerado do setor. Embora as apostas esportivas tenham sido autorizadas no Brasil em 2018, as regras só foram definidas em 2023, com a chamada “lei das bets”. Nesse intervalo, houve a expansão de plataformas, incluindo cassinos on-line.
Segundo a organização, esse cenário permitiu a proliferação de sites sem controle adequado e com forte publicidade, aumentando os riscos de dependência e endividamento. O estudo também mostra que o problema não se limita aos mais jovens: homens, pessoas com mais de 35 anos e famílias de baixa renda estão entre os mais afetados. Ainda assim, há alerta para públicos com maior escolaridade, devido ao fácil acesso digital e à alta exposição à publicidade.







