Frutas e verduras ainda ocupam pouco espaço na alimentação dos brasileiros. Um estudo publicado na revista científica Cadernos de Saúde Pública mostra que apenas 22,5% da população consome a quantidade mínima recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
A recomendação é de pelo menos cinco porções diárias, o equivalente a cerca de 400 gramas de frutas e hortaliças. Em São Luís, a rotina de muitas famílias mostra essa dificuldade. A vendedora Otília Duarte, de 45 anos, trabalha desde cedo para sustentar a casa.
Ela admite que manter uma alimentação saudável nem sempre é possível. “Eu sei que fruta é importante, mas nem sempre dá pra comprar. Tem dia que a gente escolhe o que vai render mais”, relata.
Segundo especialistas, o baixo consumo está ligado a vários fatores. Entre eles estão o aumento dos preços dos alimentos e a facilidade de acesso a produtos ultraprocessados.
A nutricionista Jéssica Lustosa explica que, no Maranhão, também há influência da sazonalidade das frutas e da dificuldade de acesso nos centros urbanos.
“Muitas frutas regionais não chegam com facilidade ou têm preço elevado. Além disso, há um fator cultural. Algumas pessoas não incluem frutas e verduras nas refeições principais”, afirma.
A alimentação com baixo consumo de vegetais pode trazer consequências para a saúde. Em crianças, pode afetar o desenvolvimento e aumentar o risco de obesidade.
Em adultos, está associada a doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares. A falta de fibras também prejudica o funcionamento do sistema digestivo.
Mesmo com dificuldades, especialistas afirmam que pequenas mudanças podem ajudar. Entre as orientações estão consumir frutas da estação, comprar em feiras locais e deixar os alimentos já higienizados para facilitar o consumo.
Outra dica é incluir frutas e legumes aos poucos na rotina. Por exemplo, usar frutas como sobremesa ou acrescentar verduras nas refeições do dia a dia. Apesar dos desafios, muitas famílias tentam adaptar a alimentação. “Quando dá, eu compro frutas e dou para minha neta”, conta Otília.
A recomendação é buscar equilíbrio, mesmo diante das limitações, e valorizar alimentos naturais e regionais sempre que possível.
Com informações de Cores






